opinião

Vás onde fores volta sempre onde pertences: a Setúbal

Um texto sincero e emotivo para todos os setubalenses.
Foto de Município de Setúbal.

Não é fácil falar de amor. Do verdadeiro que nos faz estremecer e jamais nos atormenta.

Eu sou a Sara. A Sara que escreveu o texto dos setubalenses inconformados e alguns acabaram por se zangar.

A Sara que a 26 de setembro recebeu a maior distinção que a querida cidade lhe podia dar.

A Sara que recebeu telefonemas dos pais uns dias depois porque havia quem não a percebesse. Foi por eles que resolvi aproveitar este meu espaço, onde não deixo ninguém entrar, para me apresentar a quem possa não entender.

Nasci a 18 de julho de 1989 no Hospital de São Bernardo em Setúbal. Sou a Sara do avô Zé Maria que desde cedo fui esperar à Barreira, vinha ele carregado de peixe do mar. Sou a Sara da Festa da Tróia, dos acampamentos em agosto na Caldeira e sou a Sara do Zé da Gaia, meu falecido tio que tanto nos deu sem pedir nada em troca.

Sou a Sara da carreira do 7 que me levava até à Camarinha, onde todos os sábados ia à praça logo pela manhã. Sou a Sara do agrupamento 64 dos escuteiros, do frango do Isidro com guarnição — “e não me dê aquecido do almoço, se faz favor”.

Sou a Sara dos pequenos-almoços na Capri, das horas entre discos na Artiflash e dos passeios ao Bocage para ir à procura do Pai Natal. Sou a Sara das voltas à Serra da Arrábida ao domingo e dos jogos do Vitória a comer pevides às quatro da tarde.

Já disse que sou a Sara sócia do Vitória desde há 30 anos, tantos quantos tenho de vida? E a minha filha também, desde o dia em que nasceu.

Sou a Sara do bairro Carmona, das corridas da Aranguês e vencedora de algumas medalhas pelo atletismo do Vitória. Sou a Sara dos ateliers de Verão da paróquia de São Sebastião, da feira solidária pelo meu querido e amado Eduardo.

Sou a Sara que trabalhou no bar Casa da Joana onde aprendeu a servir uns copos para pagar as férias e sou a Sara das longas tardes em Tróia, onde íamos todos de lancheira na mão. Sou a Sara dos piqueniques em São Paulo, das Misses Setúbal e Liceu, de onde até saí de faixa ao peito, vejam lá a formosura.

Sou a Sara do tio Zé que continua a ir ao mar e me enche de orgulho, filha do Puskas do café Novo Intervalo e da Zézinha que trabalha no consultório do Pedro Pessoa.

Sou a Sara que adora andar de autocarro pela cidade e não perde a oportunidade de falar com a vizinha e ter uma boa conversa.

Sou a Sara que está disponível a qualquer hora, todos os dias da semana, para qualquer setubalense que seja que precise de ajuda.

Sou a Sara que tem um trabalho que lhe permite conhecer o mundo e todas as pessoas do mundo. E é a elas que me apresento contando-lhes cada pormenor destas histórias imensas.

Porque tal como a minha mãe me ensinou, eu vá onde for, devo voltar sempre onde pertenço: a Setúbal.

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