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Subi ao Alto do Formosinho e senti-me no topo do mundo

O relato do percurso até ao ponto mais alto da Serra da Arrábida, a 501 metros de altitude.
A vista é incrível.

Esta crónica é acima de tudo um apelo a que todos os setubalenses vivam uma experiência única: subir ao Formosinho, o topo mais alto da cordilheira da Serra da Arrábida, a 501 metros de altitude, assinalados por um marco geodésico. E há umas semanas, foi mesmo esse desafio que superei, juntamente com mais três amigos aventureiros, como eu.

Estacionámos o carro no Parque de Campismo do Barreiro (Picheleiros) e iniciámos o percurso pela estrada ainda muito plana. De mochila ao ombro, máquina fotográfica, umas sapatilhas com solas antiderrapantes e um casaco bem apertado para me proteger do frio, senti-me como uma escuteira por um dia (apesar de nunca o ter sido). O trilho, de grau de dificuldade elevado dividiu-se em duas partes: a encosta norte da serra (subida) e encosta sul (descida), com fim na Praia de Alpertuche.

O caminho seguiu com o sol a espreitar e a motivar o grupo para os primeiros momentos de subida. À medida que ia avançando, o trilho com muita terra, raízes de árvores a rasgar o chão e vegetação cerrada eram cada vez mais evidentes. Por ser uma zona estreita, a minha mochila começou a ficar presa nos ramos e, em alguns casos, tive mesmo de me baixar.

Da terra passei para um terreno cheio de pedrinhas soltas, que me fizeram desequilibrar ao início. Passada a zona de cascalho, começou o verdadeiro teste à minha resistência. Olhei para cima e só vi blocos e blocos de rocha, que teria de “escalar” devagar. 

Um dos meus amigos explicou que “o segredo seria encontrar pontos de apoio para pôr os nossos pés (um de cada vez), ao mesmo tempo que nos segurávamos às rochas com a mão”. Foram vários minutos, com esta sensação estranha de parecer que ia escorregar a qualquer instante. Confesso que, a certa altura, as minhas pernas e as mãos começaram a tremer um bocadinho, mas pela curiosidade e desejo de superar a prova, lá continuei.

O Alto do Formosinho está assinalado por um marco geodésico.

Fui subindo, subindo até que cheguei ao destino: o marco geodésico, a indicar o ponto mais alto da Arrábida. Apesar das dores nos pés e nas costas, a vista incrível e única sobre a margem sul de Lisboa, Rio Tejo, Azeitão, Palmela, Cabo Espichel, Cabo da Roca, Parque Natural da Arrábida e Oceano Atlântico compensou tudo. Nesse momento, senti-me “no topo do mundo” e no coração da Serra-Mãe, como é descrito no conhecido poema de Sebastião da Gama.

Antes de descer,  lanchei, tirei a fotografia da praxe e aproveitei o ar puro e a paz da Natureza, longe da agitação da cidade. O regresso foi feito novamente em modo de “quase escalada”, desta vez a descer e sempre com vista para o mar.

O percurso terminou na entrada de acesso à Praia de Alpertuche, com passagem pelo Convento da Arrábida. No final do desafio, a sensação com que fiquei é que o Formosinho é uma das perólas mais preciosas da Arrábida e que o nosso dever é preservá-lo para que as próximas gerações possam ter a mesma oportunidade de sentir o pulmão da serra. 

tags: Alto do Formosinho, crónica, Serra da Arrábida, setúbal, subida, trilho, vista

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