opinião

Sou do tempo em que a Feira de Sant’Iago era na Baixa e eu adorava-a de paixão

O sítio mudou, mas continua a ser obrigatório ir até lá.
Tão bom.

A minha mãe pegava-me pela mão e dava-me sempre o recado. A noite ia acabar por arrefecer e ia passar frio sem o casaco. No auge dos meus 10 anos achava aquilo uma tontice e só pensava em lá chegar, ao primeiro dia da Feira de Sant’Iago.

Havia quem dissesse que era o dia dos caramelos, mas nós cá não queríamos crer. Às oito já lá estávamos na Baixa, à espera da bela da bifana do Seninho.

Ainda antes de começar a ronda pelos carrosséis, que tinha sempre dobradinha, lá íamos nós ver stand a stand onde a mãe cumprimentava toda a gente. Não faltava o algodão doce nem as moedas do mealheiro na mão, não fosse a mãe perceber mais tarde que já não tinha um tostão.

Depois da hora da brincadeira, tinha de haver tempo para comprar as peças em barro ou as louças no final da avenida.

No fim, quando íamos buscar o carro ao parque dos escuteiros em frente ao rio fazia a mãe prometer que no dia a seguir ia ser outra vez a valer. Era assim durante os 15 dias mais divertidos do meu verão.

Houve um ano em que a notícia estranha chegou: a Feira de Sant’Iago ia mudar de sítio e metade de Setúbal se zangou.

Eu cá continuo a lá ir, pelo menos uma vez, nem que seja pela bifana do Seninho, que agora como três.

Acho que todos os setubalenses deviam fazer o mesmo, nem que fosse pelas boas recordações. Ai, as recordações daqueles verões.

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