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Setúbal tornou-se numa cidade de segundas filas (e eu não sei lidar com isso)

Há carros mal parados em todas as esquinas e buzinadelas a toda a hora. É o caos, meus senhores, o caos.
Foto de Município de Setúbal.

Conduzo um Fiat 500 com mudanças automáticas — não sou muito dada a pontos de embraiagem, confesso —, mas quando estou lá dentro sinto-me como se estivesse a guiar um camião TIR. Dou sempre demasiada distância de segurança do carro da frente, acho que não caibo na maioria dos lugares de estacionamento e muito menos passo sinais amarelos — pensar que teria de aumentar a velocidade e exceder os 50 quilómetros dentro de uma localidade causa-me palpitações.

A maioria dos condutores chama-lhe “azelhice”; eu diria que é apenas precaução. E uma mulher precavida na cidade de Setúbal, meus senhores, vale por três ou quatro.

Nos últimos tempos, Setúbal tem vindo a ser minada por um síndrome de chico-espertice automobilística, que carece de tratamento prolongado. Este síndrome, traduzido em factos reais, tem como sintomas vários episódios que presenciei e passo a explicar.

— Paragens superiores a cinco minutos, sem quatro piscas, na avenida 22 de dezembro. Aliás, na maior parte do dia a faixa da direita deixa mesmo de existir;

— Rotunda da Praça de Portugal feita por fora mesmo que se queira sair na terceira saída;

— Paragens de última hora na avenida 5 de outubro em segunda fila, sem aviso de quando é que vão voltar para o carro; 

— Estacionamento na zona ribeirinha em lugares prioritários sem se ter dístico para isso. “Não faz mal, vou só ali beber um café”;

— Avenida Luísa Todi toda feita pela faixa da esquerda a 20 quilómetros por hora. Afinal, estão só a passear.

Visto que é ainda uma doença em fase de estudo, considero que a chico-espertice automobilística setubalense tem tendência a aumentar. E à velocidade a que os vírus se andam por aí a propagar acho que vai trazer cada vez mais estragos. 

Aos que, tal como eu, são cumpridores da lei (e até percebem um bocadinho do código da estrada) desejo muita paciência e boa vontade. É que Setúbal, caros conterrâneos, tornou-se numa cidade de segundas filas. E eu não estou a saber lidar com isso.

tags: estacionamento, parque de estacionamento, setúbal, trânsito em setúbal

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