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Setúbal já cheira a Natal e só me apetece abraçar toda a gente

As crianças andam felizes pelas ruas e os adultos não se ficam atrás.
Ela foi direita ao Pai Natal e disse com toda a sua garra de 18 meses: “Ai, ai”. Ele riu-se e lançou-lhe um “o Pai Natal é bonzinho”, ao mesmo tempo que lhe fez uma festa no intocável carrapito do penteado. 
 
A minha filha sabe que ele é bom. Aliás, não se tem falado de outra coisa cá por casa. Aquele “ai, ai”, para os mais curiosos, é apenas o terminar de uma frase que construímos por aqui: “Pai Natal, se não trazes os meus presentes…”, ao que ela responde “ai, ai”. 
 
Para mim, as crianças mais pequenas têm uma única obrigação da vida: a de serem felizes. E o Natal consegue dar-lhes o cenário perfeito. Por isso, nas últimas semanas tenho vindo a preparar a minha filha para o que aí vem. Setúbal parece-me ter tudo o que preciso para construirmos esta história de amor, na qual ela vai acreditar o máximo de anos possível. 
 
Naquela manhã de sábado começámos por ir ao centro comercial Alegro tirar uma fotografia com o Pai Natal. À tarde, fomos esperá-lo ao Largo do Bocage, onde reencontrámos amigos antigos e abraçámos de verdade. De lá, ainda seguimos até ao Bonfim onde o reino encantado das crianças está montado. 
 
Setúbal é uma cidade tão acolhedora que nesta altura cheira a casa dos avós por todo o lado. De repente, dei por mim a querer sentar-me junto ao Bocage com uma caneca de café feito pela minha mãe, não sem antes convidar toda aquela gente para contar as suas histórias. 
 
Ao meu lado estavam pessoas de todos os bairros, senti-lhes a pronúncia, que ali queriam construir uma bonita história de amor para os mais pequenos. Quando o frio começou a não nos deixar lá ficar, dissemos adeus ao Pai Natal e prometemos voltar na próxima semana.
 
Enquanto esperamos que chegue o dia, cá por casa juntam-se em sacos todas as roupas quentes que já não precisamos. Elas vão seguir para quem possa vesti-las porque isso também é Natal. 
 
Informei-me e em Setúbal há várias igrejas a receberem este tipo de encomenda, que tão bem nos faz à alma. 
 
Setúbal já cheira a Natal e apetece-me abraçar toda a gente. Se me virem, já sabem o que fazer. Se não: “ai, ai”.
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