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Setúbal cheira a mar, a caldeirada e a boa gente

Uma homenagem sentida à melhor cidade do mundo.
O rio Sado.

Quando a vi pela primeira vez, eu ainda nem sequer punha os pés no chão. Conta a minha mãe que os meus grandes olhos castanhos e reluzentes olhavam para todos os lados, como se quisesse descobri-la logo ao pormenor.

Tinha tempo, mas ainda não sabia. Por isso, mal aprendi a gatinhar foi entre redes de pesca e cheiro a maresia que mais me sentia em casa. A areia da caldeira de Tróia começou cedo a ser o meu melhor chão e aos nove meses, dizem, já não recusava uns bons salmonetes.

Aprendi desde cedo que Setúbal era o melhor conto de fadas em que algum dia poderia participar, onde me sentiria sempre a princesa do castelo.

Cresci no meio das santolas, com calças dobradas pelo meio das pernas e joelhos esfolados de tanta diversão. Sei de cor as marés e não há nome de bairro que me falhe na memória.

Setúbal desde cedo me cheirou a mar, a caldeirada e a boa gente. A pessoas com pele enrugada, queimada do sol e com tantas histórias. A dar sem ser preciso receber.

No dia em que surge mais um, há sempre espaço na mesa. E ai de quem se recusar a sentar — setubalense que é setubalense tem sempre a última palavra, que é das boas.

Setúbal desde cedo me cheirou a mar, a caldeirada e a boa gente. A carinho, conforto e gratidão. Porque pode acontecer o pior, que temos sempre um setubalense a querer-nos dar a mão.

tags: cheiros de setúbal, homenagem a setúbal, setúbal

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