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Sabe onde está a Bola Nivea? Combinei encontrar-me lá com umas amigas

Uma crónica carregada de nostalgia e saudades dos tempos em que não havia telemóveis.

Encontrávamo-nos no café lá do bairro às nove horas da noite anterior. Entre copos de Coca-Cola e pacotes de pipas com sal que fazia mal, apontávamos no bloco tudo o que precisávamos para o dia a seguir. 

Uma tinha de levar o guarda-sol, as raquetes e os rissóis da avó, a outra os Capri-Sun e a bola que não podia faltar. Nem isso nem a geleira azul e o rádio a tocar.

O dia de praia em Tróia ia ser maior do que as oito horas de trabalho laboral, por isso tinha de estar tudo bem combinado para o encontro no sítio do costume. 

Às nove na Bola Nivea, dizia eu com ar de que ninguém podia falhar. E não era preciso dizer nada mais nem ter grandes preocupações. Não havia telemóveis, nem tão pouco distrações. 

Naquele sítio de Tróia era sempre hora de ponta, com encontros entre amigos, família ou até namoros de verão. Daqueles que se enterram na areia ou duram a vida inteira. 

Se a Bola Nivea falasse ia ter tanto para contar, mas apenas restamos nós para a relembrar. 

Olhe, desculpe, sabe onde está a Bola Nivea? Combinei encontrar-me lá com umas amigas.

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