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Querido Pai Natal, dá a Setúbal o amor e conforto que merece

Como é tão diferente viver esta época com seis e 30 anos.
De repente tenho seis anos e corro no quintal do avô Zé Maria com a força do Obikwelu. São 10 da manhã e há muito trabalho para fazer. Distribuo as tarefas pelos meus primos e irmã, que o dia já vai logo nos olhos de uma criança que acordou cedo para ir ver o Pai Natal. 
 
A tarde daquele 24 de dezembro começa como todas as outras nos meus poucos anos de vida. Vamos à Baixa correr ruas em busca do velho das barbas brancas, que eu acredito andar atarefado para conseguir ir a todo o lado. A mãe dá beijinhos a quase toda a gente que passa, parece-me, e insiste que eu faça o mesmo. 
 
Não percebo aqueles momentos de tanto calor, aquela lamechice toda, quando eu só vejo um propósito para ali estar: confirmar com o Pai Natal que ele vai chegar com os meus presentes. No final, tudo corre como o meu pequeno cérebro de uma miúda de seis anos pensou e sei que a noite vai ser de festa. 
 
Quero ir acabar de limpar o quintal do avó Zé Maria, ele precisa de estar impecável para quando o trenó chegar. Mas a mãe insiste que temos de ir visitar a tia velhinha. E os irmãos dela. Quer que eu ligue à outra avó, mas para quê se amanhã vou estar com ela? 
 
Penso que o mais fácil é gritar e fazer uma birra enquanto bato o pé, mas depois tenho medo que o Pai Natal saiba e não traga os meus presentes. Mas chega a noite e acabo por abri-los e receber aquilo que pedi. A mãe volta a insistir naquela cena dos beijinhos e até diz que devo dar um abraço. 
 
Os seis anos de vida não me permitem perceber aquilo que os 30 me trouxeram: como o abraço é o mais importante do meu Natal. Como eu gostava de ter cá o avô Zé Maria para lhe poder lavar o quintal e as tias da mãe para ir até lá comer o bolo quentinho. 
 
Hoje, sou eu que cumprimento todas as pessoas da Baixa e digo à minha filha para lhes dar um beijinho. Ela diz que não, prefere ir limpar o quintal, e eu não me zango. Peço então que faça uma festinha para que possam sentir o calor do que é o Natal. 
 
Porque independentemente da forma como o celebramos nunca devemos esquecer a principal objetivo: amar ainda mais os nossos. Por isso, este ano peço ao Pai Natal que traga para Setúbal o amor e conforto que a cidade merece. E que cada um, à sua maneira, seja feliz na sua casa.
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