opinião

Quem não vai ao mercado do Livramento em Setúbal perde anos de vida feliz

É uma das maiores relíquias da cidade e que merece uma visita todos os fins de semana.
Centenário.

Parece que estou a ouvir a porta bater devagarinho e o barulho dos sacos a pousar em cima da mesa. Estamos a meio da manhã de sábado, eu tenho 15 anos e a minha mãe acabou de vir da praça — ou mercado, para os mais idealistas. Traz alperces, cerejas e morangos. E alface, tomates, tremoços e azeitonas. 

O meu padrasto salga as sardinhas ao balcão, enquanto oiço a minha mãe a lamentar por não ter apanhado os queijos do costume. Costuma ir mais cedo, diz, mas não havia lugar para estacionar. 

O cheiro a legumes e fruta fresca já se espalha pela casa, como se estivesse a chamar por mim. Tomo o pequeno-almoço com o que acabou de chegar, feita rainha perante o seu banquete. E que banquete. 

Entretanto, cresço, já não tenho 15 anos, mas os sábados continuam a ser iguais. Agora, passei eu a bater com a porta de manhã e a entrar em casa com os alperces, com os morangos e as azeitonas. 

Tento ir cedo para apanhar os melhores queijos, às vezes para comer a bifana da praça logo pela manhã. Ainda compro amêijoas lá à porta e as alfaces no corredor das caramelas. 

Entrar no Mercado do Livramento, em Setúbal, é entrar num cenário paradisíaco onde se é sempre feliz. Daqueles que vale a pena voltar. Aos sábados de manhã, todos eles. 

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