opinião

Passei as melhores noites da minha vida no Design Café em Setúbal

Nesta mítica discoteca ri muito. E fui verdadeiramente feliz.
Imagem meramente ilustrativa.

Era tão sagrado que já nem precisávamos de combinar. Às sextas-feiras as nossas noites iam sempre acabar no canto daquele primeiro andar.

À porta, o David não deixava ninguém subir sem o cumprimento da praxe, digno de um senhor como há poucos por aí. Lá em cima, sabíamos que não havia hora para acabar. Cinco euros, cinco bebidas parecia de mais, mas acabávamos por dar conta do recado. 

Ao longo da noite eles iam chegando, os amigos dos abraços e das conversas sem fim. Chegavam os namorados ou os que podiam um dia ser. Vinham as inimigas e as paixonetas de verão. Havia lugar para todos, menos para a confusão. 

A música nunca parava nem a vontade de dançar. Sabíamos que na semana seguinte voltávamos, mas cada noite era como se fosse a última. Típico cenário de uma adolescência que vivia com medo que o mundo acabasse no dia seguinte. 

Passei as melhores noites da minha vida no Design Café porque foi lá que o vi chegar. O puto de 19 anos que saiu da discoteca naquela noite e que rapidamente passou a ser o meu amor. Faltava-lhe o jeito para dançar, mas preferiu levar-me para o bailado da vida.

Passei as melhores noites da minha vida no Design Café e todas as minhas amigas também. Infelizmente já não vamos lá voltar, fechou, entretanto, mas ficam as recordações. Daquelas que incluem conversas e muitas vodkas limão na mão.

tags: crónica, design café, setúbal