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Os restaurantes de Setúbal precisam de nós — e as nossas barrigas deles

Esta é a altura certa para ajudarmos a restauração local, que é, para mim, a melhor do mundo.
Os restaurantes reabrem a 18 de maio.

Sentou-se à minha frente com o cabelo aprumado e ar de quem tinha a mania de que era um sabichão. A voz grave e alta de mais para aquela mesa redonda comprovou a primeira impressão: tínhamos mau feitio como aperitivo.

O empregado chegou à mesa, entregou a carta e aquele homem que eu acabara de conhecer num almoço de trabalho deu o apito inicial para um jogo em que eu acabei por lhe dar uma goleada.

“Ah, o peixe que tem é de Setúbal? Não há melhor pessoa para escolhê-lo do que eu. Vou lá no verão, aos domingos.” Conti o riso e esperei pela altura certa para não entrar em fora de jogo. “Os salmonetes vêm com molho de fígados?”, perguntei à minha vez.

Senti-o com a raiva de um leão, mas lançou a pergunta em modo cordeirinho: “Também vai lá de vez em quando?”. “Cartão amarelo”, apeteceu-me responder.

“Nasci lá há quase três décadas, muitas menos do que a minha família tem de tradição piscatória na zona”, argumentei. Foi preciso um brinde à cidade mais bonita do mundo para a conversa amenizar e passarem-se as quase duas horas seguintes a falar do que ela tem de bom.

Dos salmonetes aos chocos e raias, passando pelas sardinhas e carapaus. Chegando às santolas, ostras ou navalhas do rio Sado — tudo isto é incrível em quase todos os restaurantes da região.

E são eles que mais precisam de nós, depois de dois meses de portas trancadas devido à pandemia que continua a assombrar o mundo. Nesta altura tão difícil é preciso não negligenciar o que é nosso, nem ir comprar fora.

Não precisamos de passar a ponte, até porque na minha opinião, a comida boa está deste lado. Esta segunda-feira, 18 de maio, abre a maioria dos restaurantes setubalenses e, mais do que nunca, eles precisam de nós (e o nosso estômago precisa deles). Encontramo-nos onde?

tags: coronavírus, Covid-19, crónica, restaurantes em setúbal

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