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Opinião: Setúbal, a minha tribo

Leia a crónica exclusiva do músico Pedro Franco para a New in Setúbal.
Frente ribeirinha.

Tirando uma fugaz passagem por Lisboa, sempre vivi em Setúbal. Fui e sou muito feliz aqui. A libertinagem que tive na minha adolescência não teve preço. Vadiar pela cidade com os meus amigos, crescer com a Serra da Arrábida, usufruir das suas praias e de Tróia.

Olhando agora para trás consigo perceber a sorte que tive em crescer nesta cidade. Mas apesar da beleza geográfica da região, gosto de pensar que as cidades também são as pessoas e a relação que eu tenho com a minha cidade é também com a minha “tribo”.

É essa a história que quero contar. Fui adolescente numa cidade ainda muito industrial e com pouca oferta cultural. Essa escassez, na verdade, tornou-se positiva, pois acabou por agregar as pessoas para suprimirem essa necessidade.

Cresci no meio das bandas de garagem, dos bares, da música ao vivo e das tertúlias no Círculo Cultural de Setúbal. Essa cultura do “faz tu mesmo” ficou em mim desde esses tempos e na maioria dos meus amigos. Se não existe, nós fazemos. Se a ideia é boa, tentamos dar-lhe vida, sem muitos interesses além da amizade que nutrimos uns pelos outros.

Pedro Franco faz parte do projeto Um Corpo Estranho. Foto: Rui David.

Tenho um orgulho enorme nos meus amigos. Na verdade, todos temos uma coisa em comum: devolver à cidade o que ela nos deu, sem pedir nada em troca, criar condições e deixar a porta aberta para que as gerações apaixonadas possam fazer aquilo em que acreditam.

Muitos dos meus amigos saíram, mas muitos também acabaram por voltar. Gosto de acreditar que a minha “tribo” tenta ser a mudança que quer na sua cidade. Decidimos ficar, criar aqui os nossos filhos e devolver à cidade aquilo que ela nos deu quando precisámos. De dentro para fora. De Setúbal para o mundo.

tags: crónica, músico, Opinião, Pedro Franco, setúbal

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