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Opinião: Setúbal, a cidade das pessoas únicas

Leia a crónica exclusiva de Catarina Branco, bailarina e professora de dança oriental para a New in Setúbal.
Baixa de Setúbal.

Sou apaixonada pela minha cidade. Desde o ar natural da Arrábida à brisa marítima do Sado, da paisagem para a Península de Tróia até à luz mística que emana do Castelo de Palmela. Mas nem sempre foi assim.

Filha de pais lisboetas, enquanto jovem sempre achei que Setúbal não era uma cidade suficientemente moderna e grande para tudo aquilo que ambicionava. Tinha decidido que não ia viver aqui. Terminava o meu 12.º ano na Escola Secundária Sebastião da Gama desejosa de sair e ir estudar e viver na capital.

Qual a minha desilusão e tristeza ao verificar que não seria assim tão bem recebida como esperava na grande cidade. Nessa altura acabei fugindo todos os fins de semana para junto dos amigos de infância e dos passeios na Arrábida que fazíamos juntos.

Durante a minha vivência em Lisboa e olhando para trás, fui-me apercebendo da riqueza de pessoas que temos na nossa cidade, e que sorte tinha em ter nascido rodeada dessas personalidades. Tive a oportunidade de conhecer pessoas muito diferentes umas das outras, com os seus distintos interesses e paixões, mas sempre prontas para descobrir e conhecer o outro. Na minha opinião, mais do que o Sado e a Arrábida, Setúbal é rica pelas suas pessoas.

De Setúbal, sou bailarina e professora de dança oriental. Virei a minha vida do avesso depois de cinco anos em Lisboa dedicados a uma licenciatura e duplo-mestrado em Gestão. E foi na cidade de Setúbal que encontrei esta minha paixão pela dança árabe e foi também nela que encontrei o gosto pelo seu ensino.

Com o passar dos anos, a paixão foi crescendo e soube que era este o meu caminho, uma vida dedicada à arte a às pessoas. A Câmara Municipal de Setúbal sempre me apoiou na divulgação do meu trabalho e as alunas da cidade demonstraram o seu carinho, dedicação e amor à arte.

Catarina Branco é bailarina e professora de dança oriental.

E chegou um momento em que soube que Setúbal era a minha cidade, onde estavam as minhas pessoas, onde me sentia identificada e verdadeiramente em casa, e que seria aqui onde concretizaria o sonho de criar a minha escola.

E assim nasceu o Catarina Branco Oriental Studio no bairro do Montalvão. Não poderia estar mais feliz por contribuir para a evolução da minha cidade, como ela tem contribuído para mim, com este projeto que visa divulgar e potenciar a arte e a cultura em Setúbal, como também desenvolver o bem-estar físico, emocional e mental da sua população.

Sou hoje uma apaixonada pela cidade, pela sua comida, pelas suas ruas, pela sua natureza inigualável, mas principalmente pelas suas pessoas. São as pessoas desta cidade, que me apaixonam todos os dias, a sua vontade de viver e desfrutar a vida e de tudo o que ela tem para oferecer.

Os setubalenses gostam do convívio, da comida, da partilha e da arte. É uma cidade calma, sem a ansiedade de Lisboa, mas ativa e criativa, que concretiza e faz acontecer, que cria e que evolui. Sei hoje que esta é a minha cidade, a minha casa, porque esta também sou eu. Obrigada, Setúbal. Obrigada, setubalenses.

tags: Catarina Branco, crónica, dança oriental, Opinião, setúbal

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