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Opinião: Azul sobre azul

Leia a crónica exclusiva da artista plástica Rita Melo para a New in Setúbal.
Arrábida.

Foi num verão há pouco mais de uma década que senti uma imensidão de prazer. Enchi os pulmões e vislumbrei, com um misto de tranquilidade e desassossego, a paisagem no cume da serra da Arrábida. Uma extensão de mar azul com degradês envolto num jardim de velaturas verdes, recortadas por um azul cerúleo sem limites. É uma sensação avassaladora, como quando contemplamos uma obra de arte. Uma pintura que fica gravada para sempre. 

Intrigou-me como seria possível, só agora conhecer aquele local. Perguntei-me porque viajava até ao outro lado do planeta, quando tinha o paraíso aqui: no coração de Portugal. Prometi a mim mesma que a revisitaria partilhando só com alguns. Os meus. Um ato de egoísmo mas simultaneamente de proteção. Quem por ali passa, nunca se esquece. Prende-se. Liga-se.

E, assim, é com Setúbal, um magnetismo que paira sobre toda a cidade. O prazer encontra-se facilmente, seja a saborear o peixe assado, em tons prata, ou num mergulho nas águas transparentes. Uma caminhada por um trilho na área protegida ou numa esplanada com vista para o Sado. Setúbal assaltou-me e eu apaixonei-me.

Depois, vieram as pessoas. Ai, as pessoas. Genuínas, ligadas à terra como só no norte encontrei. Defendem o Vitória, a serra e o rio como sangue do seu sangue. Têm um hino e cantam “Não há rio azul igual ao meu” e os seus abraços são sinceros. Tocam-nos.

Aqui fiz muitos amigos e muitos deles, artistas. Setúbal é uma terra de artistas. Não só pelos seus antepassados como pelos seus contemporâneos. E, é com muito entusiasmo que tenho assistido, nos últimos anos ao seu crescimento tanto de forma individual como coletiva. A levarem e a trazerem a cidade.

A resiliência sempre esteve presente, mas é muito mais compensatória quando, em conjunto projetos e apoios municipais, caminham no mesmo sentido. E, assim, tem acontecido. Uma vitória para todos que permite iniciar novos projetos.

Rita Melo é artista plástica.

Desde que aqui cheguei, tenho assistido a um desenvolvimento impressionante. São infraestruturas, prémios, valorização do património, crescimento do turismo, entre outros, que estamos já habituados a ver crescer na cidade nos últimos anos.

Setúbal tem vindo a perceber que as atividades culturais e criativas assumem cada vez mais um dinamismo em ascensão na criação de emprego e riqueza. E, quando bem fundamentadas em projetos sólidos, são um elevado fator de competitividade económica, social e territorial. É gratificante ver a cidade a colocar-se no mundo na sua diversidade cultural sendo atrativa com museus, centros de exposições, concertos, festivais de cinema, de jazz, de teatro, performance, etc.

Mas podemos ir mais além. Setúbal tem muito potencial, é uma terra repleta de maravilhas, saibamos aproveitá-las e protegê-las, seguindo o melhor caminho. Foi aqui que escolhi viver e construir família na baía mais bela do mundo, num azul sobre azul.

tags: artista plástica, crónica, Opinião, rio sado, Rita Melo, setúbal

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