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Opinião: Amor a uma cidade e a um clube

Leia a crónica exclusiva do ex-jogador do Vitória Futebol Clube, Fernando Tomé.
Estádio do Vitória de Setúbal.

Pediram-me algo que não é nada fácil. Escrever sobre Setúbal (a minha boa madrasta) e sobre o enorme Vitória (o meu pai desportivo). O que me vai na alma é impossível transpor para a escrita. Todos os que me conhecem sabem, que por uma força maior, não nasci em Setúbal.

Em virtude da profissão do meu pai que anos mais tarde acabei por seguir, nasci na cidade do Porto, Freguesia da Campanhã e fui batizado na Igreja das Antas, de onde saí para a Covilhã com meses de idade. Apesar disso, esta linda cidade de Setúbal é para mim e para a minha família (esposa, filhos e netos) naturais da mesma, a nossa cidade, como eu digo.

Aos nove anos de idade vim para Setúbal viver no Bairro Santos Nicolau (o meu belo padrasto) com passagens pela Barrosinha, Alcácer do Sal, a terra da minha mãe, depois Moura e Aljustrel, até que me radiquei em Setúbal e frequentei a escola da D. Adelaide, onde fiz o exame da admissão para entrar na Escola Industrial e Comercial de Setúbal.

O “bichinho” do futebol estava na família e em mim e o exemplo do meu pai, no seu trajecto no futebol fez com que esse caminho fosse uma herança na minha vida. O Vitória Futebol Clube foi o meu primeiro clube oficial, pois também representei em 1960/61 o C. R. Vasco da Gama do Bairro Santos Nicolau, onde participei num Torneio Popular sob a jurisdição da A. F. Setúbal. Em 1961/62 então nos principiantes do Vitória, iniciei a minha ligação a um clube que tatuou em mim um amor que está até hoje.

Fernando Tomé foi jogador do Vitória de Setúbal nos anos 60.

Apesar de ter saído de Setúbal ao longo da minha carreira de jogador e também de treinador, a minha ligação umbilical foi permanente. Falar de Setúbal sem falar do Vitória é impossível. A história interliga-se e os nomes estão de mãos dadas, os grandes feitos do Vitória ficaram gravados na história e catapultaram a cidade e o Clube como um só.

É para mim um orgulho ter pertencido a uma geração de ouro de atletas que fizeram, tal com dezenas, para não dizer centenas e se calhar milhares de ex-jogadores que tudo deram em prol do Vitória.

Por Setúbal sempre que solicitado darei sempre o meu modesto contributo. Foi para mim um orgulho e honra  ter sido padrinho da sardinha assada no Festival das 7 Maravilhas da Gastronomia, ter participado  na novela “Mar Salgado” que passou na SIC, ter sido Embaixador do Futebol na Cidade Europeia do Desporto e convidado nas comemorações dos 150 anos da elevação da Cidade de Setúbal a convite de dois ilustres amigos que já nos deixaram: o Fernando Guerreiro e o Carlos Rodrigues (Manel Bola).

Sou e serei “filho” orgulhoso desta maravilhosa cidade e terei sempre no coração este enorme clube que tem o nome de Vitória

tags: crónica, Fernando Tomé, Opinião, setúbal, vitória futebol clube

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