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O paraíso da carne em Setúbal existe e chama-se Carnes do Convento

A steakhouse abriu em 2002 e tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos.
Em frente ao Largo de Jesus.

O calor abrasador daquela terça-feira fez-me gritar por um bom peixe ou caldeirada ao jantar durante a maior parte da tarde. Cheguei ao destino por volta das 20h30, mas estava fechado, o que fez com que o homem da relação tivesse também ordem para decidir. 

Apetecia-lhe carne. Claro, o mais óbvio. “E se fôssemos às Carnes do Convento?”, perguntou já com os olhos a luzir só de imaginar aquele naco em tiras a parar diretamente na nossa mesa. 

Mesmo nos dias de semana não é fácil arranjar lá mesa. O que é chato, mas também um bom presságio. Um telefonema de poucos segundos mostrou que estávamos com sorte e que até havia sopa para a miúda. 

Chegámos, com roupa despretensiosa, a um sítio que não é para se ir de chinelo no pé. Com decoração romântica chique, este restaurante é perfeito para um jantar de um pequeníssimo grupo de amigos. Ou para uma refeição entre duas pessoas cujos gostos nem sempre coincidem: apetecia-me peixe, a ele carne. 

Não é o restaurante onde os miúdos podem andar mais à vontade, mas assim que nos sentámos, os funcionários resolveram a excitação de uma pequena peste de um ano, mas com fogo no corpo: copo, prato e talheres que mais pareciam para brincar e estava o cenário montado. 

A carta chega à mesa e começa a indecisão de tão grande ser a oferta. Para quem não lida bem com escolhas como eu, fico-me pela óbvia que como sempre e nunca corre mal: fraldinha médio mal passada. Ele arrisca em 200 gramas de wagyu, “uma carne criada com massagens e a ouvir música clássica”, dizem-nos. 

Desfrutamos do presunto e paio das entradas enquanto a miúda continua entretida a enfiar bolas de pão no garfo para as comer. 

Normalmente, a carne dos pratos principais é cortada na mesa do cliente por um funcionário tão simpático quanto competente. Com menores a bordo, ele acaba por pedir autorização para fazê-lo logo ali ao lado. 

Às primeiras garfadas percebe-se algo que já venho a dizer há algum tempo: o paraíso em Setúbal existe e para quem gosta verdadeiramente de carne pode chamar-se Carnes dos Convento. 

Como em todas as vezes que lá fui, a comida não desiludiu. A carne vem tenra, tenrinha e basta um simples toque com a faca para cortá-la. O sabor responde ao resto: bons produtores e vale cada cêntimo da conta. 

A acompanhar os dois pratos tivemos batatas fritas finas às rodelas, salada, arroz e fruta — e também molhos que não parecem vindos diretamente de um frasco qualquer. Se sim, enganam bem.

De salientar um fator que é tão importante para quem tem filhos pequenos e que muitos restaurantes desprezam: há fraldário. 

Leia também o artigo da New In Setúbal sobre este espaço e os preços.

tags: Associação Cultural e Recreativa de Fernando Pó, carne maturada, crónica, setúbal