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Lamento, mas não há nenhum sítio com melhor peixe do que em Setúbal

Das sardinhas, aos salmonetes e raia. Qualquer que seja a opção, ´ grelhado ou em caldeirada.
Maravilhoso.
Cresci a fugir das santolas que o meu avô trazia do mar e punha a andar pelo quintal. Com cinco anos, achava que elas podiam correr mais do que eu e passava largos minutos no jogo do “não me apanhas”. 
 
Cresci com as enguias a saltarem do balde para cima do pano e com o meu avô a domá-las como se fosse um mestre do circo. 
 
Cresci sem se ligar o fogão nos almoços de sábado. O fogareiro era grande e cabia o tacho das batatas. A seguir, o avô punha aquilo que o mar lhe dará naquele dia e ele tinha posto de parte para não vender. 
 
Havia as sardinhas assadas, os carapaus manteiga e sempre os besugos para a minha mãe. Em dias de sorte lá nos calhava um linguado ou um choco com tinta que eu teimava em não gostar. Como me arrependi anos mais tarde. 
 
Cresci a comer a caldeirada e a guardar o molho para a massa que era servida a seguir. E como me sabia bem depois repetir. 
 
Agora, que o avô já não está cá para lançar as sapateiras no quintal ou domar as enguias vivas como ninguém, não é qualquer restaurante que recebe a minha presença. Não há quem me engane e venda peixe sem ser do fresco e bom. Muito menos que se arme em espertalhão e troque o nome do pescado só para vender mais caro.
 
Sei-os de cor conforme as escamas e o aspeto dos olhos e até descubro quando não são apanhados na melhor baía do mundo. 
 
Lamento, mas não há nenhum sítio com melhor peixe do que em Setúbal e sobre isso nem há discussão. Isto é mesmo dito de coração. 
tags: caldeirada à setubalense, comer em setúbal, crónica, peixe em setúbal, sardinhas, setúbal

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