opinião

A importância de ter um vizinho setubalense

Quem não tem a sorte de ter um, então que arranje.
Foto de Município de Setúbal.

O vizinho setubalense tem sempre aquele ramo de coentros que nos esquecemos de comprar no mercado. Mesmo que tenha de pôr menos na sua caldeirada. 

É graças ao vizinho setubalense que sabemos a Marcha do Vitória. Põe a tocar todos os sábados de amanhã em modo repetição.

O vizinho setubalense fica sempre com os nossos miúdos quando vamos ao cinema. E leva-os ao Jardim do Bonfim ou a brincar ao Pua. 

O vizinho setubalense não gosta de traições. Se o nosso marido ou mulher entra em casa com uma irmã que ele nunca viu recebemos logo uma chamada do género: “Entrou agora uma loira tão gira em tua casa. Podes perguntar-lhe qual é o nome da tinta que usa no cabelo?”. 

O vizinho setubalense traz-nos sempre peixe fresco. “Comprei a mais ali na lota porque sabia que ias gostar de provar”. 

O vizinho setubalense sabe sempre quem é que nos bateu sem querer na traseira do carro. “Estava a estender a roupa por acaso, e só por acaso, vi”, diz. 

O vizinho setubalense não falha uma festa. Quando há aniversários lá em casa é sempre o primeiro a chegar e o último a ir embora. Afinal, mora mesmo ali ao lado. 

O vizinho setubalense encontra-se todos os dias com o carteiro. Não há carta que vá para trás. 

O vizinho setubalense leva sempre umas fatias de bolo ao domingo. Pressente quando estamos mesmo a precisar. 

O vizinho setubalense sabe quais são as festas do bairro. E vai lá sempre tocar à campainha. Não vamos nós esquecer-nos de ir.

O vizinho setubalense conhece sempre alguém que nos pode ajudar. Nem que seja a amiga de uma prima afastada do pai do marido. 

O vizinho setubalense é o primeiro a acudir. Tem, inclusive, uma cópia da chave lá de casa na mala.

O vizinho setubalense é como se fosse da família. Vai aos casamentos e batizados e troca sempre presentes no Natal.

Quem não tem a sorte de ter um vizinho setubalense, então que arranje.
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