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Filha, nos próximos tempos não podemos ir ver o Sado

Perante um País em pandemia, a nossa maior responsabilidade é cuidar do próximo.
Vista incrível.

Passei os últimos dois anos a gabar-me da minha filha ter nascido na melhor cidade do mundo. Com o rio a dois passos de casa e várias praias para escolher, sabia que os dias de sol teriam sempre um único destino: o areal.

Também disse vezes sem conta aos colegas e amigos que ela tinha a melhor alimentação do mundo. Afinal, com tios pescadores, peixe fresco foi algo que nunca faltou cá em casa.

As idas à praça foram uma constante nos últimos dois anos. A seguir, um almoço na casa dos avós e uma ida ao Cais da Gávea ou ao Rockalot. Enquanto punha a conversa em dia com a família, a minha filha brincou livremente na relva ou areia. Pôs as mãos na boca, esfolou os joelhos, partilhou um chocolate com o amigo que acabara de conhecer.

Agora, agora estamos as duas em casa sem dia para sair. Ao fundo, bem ao fundo, vemos o Sado, mas não lhe podemos tocar. O maldito Covid-19 trocou-nos as voltas e deixou-me com medo.

Não sei como vão ser os próximos tempos, mas tenho a certeza de que, mais do que nunca, temos de nos proteger. A nossa maior responsabilidade não é só cuidar de nós. Temos o dever de cuidar do próximo.

Por isso, caros conterrâneos setubalenses, façam tudo aquilo que puderem para se resguardarem e protegerem os grupos de risco. Pensem nos pais, tios e avós, pessoas com um sistema imunitário mais em baixo.

Pensem na vizinha que tem sempre um bom dia para nos dizer, na senhora do café que tem estado doente. O Covid-19 é um problema de todos e só se remarmos a traineira para o mesmo lado é que o vamos conseguir vencer.

Por aqui, querida filha, nos próximos tempos não vamos poder ir ver o Sado. Mas a mãe há-de conseguir recompensar-te por isso.

tags: coronavírus, coronavírus em setúbal, Covid-19, Sado, setúbal

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