opinião

Carta de amor para o Toy, um dos setubalenses mais genuínos

Querido conterrâneo, senta-te e respira fundo que tenho coisas para te dizer.
Tem 56 anos.

Querido Toy,

Resolvi escrever-te porque embora os tempos agora sejam outros, como diz a minha avó, uma carta de amor será sempre bonita. 

Quero que te sentes, respires fundo e não tenhas medo. O que sinto ti não é loucura nem tão pouco paixão. É carinho. Acho que nos cruzámos poucas vezes mais do que em festas da cidade ou em almoços no Pescador. 

Não sei o teu nome completo, qual é o teu carro (ainda conduzes com os joelhos?) nem tão pouco a tua morada ou quem são os teus amigos mais chegados. Não sei nem quero tão pouco saber. 

Não sei se gostas mais do azul ou do amarelo, de comer salmonetes ou te perdes pelas sardinhas. Se gostas de ler ou ainda és dos que jogam computador. Não sei nem quero tão pouco saber. 

Sabes, querido Toy, tu não me conheces, mas também nunca foi preciso isso acontecer para o meu amor nascer. Na verdade, é mais admiração. 

Admiração por nunca esqueceres as tuas origens e levares o nome de Setúbal ao mundo, sem nunca deixares que Setúbal saísse de ti. 

Estejas onde estiveres, sabes sempre onde se come o melhor peixe, se prova o melhor vinho (team Ermelinda para sempre), onde estão as melhores praias. 

Melhor: sabes ser um dos nossos, todos os dias, toda a noite, toda a noite. 

Sabes, querido Toy, nunca ouvi falarem mal de ti, que engraçado. Acho que todos os setubalenses te amam como eu. E te queriam dizer tudo isto há muito tempo. 

Agora, recebe o meu abraço apertado e continua este bonito trabalho pela cidade, que um dia tem de ter uma rua dedicada a ti. E vamos festejar com vinho, com certeza. 

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