Salvador Sobral voltou a usar a sua voz pública para uma tomada de posição política — desta vez contra o Spotify. O cantor revelou esta quinta-feira, 22 de janeiro, através das redes sociais, que pediu a remoção do seu primeiro álbum, “Excuse Me” (2016), da plataforma de streaming e que pretende retirar os restantes discos “em breve”.
Na mesma publicação, sugeriu aos seguidores que passem a ouvir a sua música no Qobuz, que considera “a plataforma mais ética de todas”.
A decisão surge depois de, em dezembro, o músico ter partilhado um apelo de boicote ao Spotify promovido por um movimento catalão, que acusa o diretor-geral da empresa de ter investido cerca de 700 milhões de euros na Helsing (uma startup ligada ao setor do armamento).
Na imagem divulgada por Sobral, o artista reforça a ideia de que “a música não pode ser cúmplice da guerra” e defende um boicote tanto por parte dos artistas como dos ouvintes. O cantor mostrou ainda o email de confirmação do Spotify, que indica que a remoção do álbum pode demorar até 30 dias a ser processada.

A posição não é isolada no percurso do músico, que tem assumido publicamente o posicionamento sobre a situação em Gaza. Nos últimos meses, criticou a manutenção de Israel como concorrente da Eurovisão, acusou a RTP de “hipocrisia” por manter a participação portuguesa no festival e apoiou iniciativas como a flotilha humanitária e o concerto “Juntos por Gaza”, no CCB.
O tema ganha especial peso no caso de Salvador Sobral, que mantém uma ligação forte ao concurso: venceu a Eurovisão em 2017 com “Amar Pelos Dois”, tornando-se o primeiro e único português a conquistar o troféu — um momento histórico que continua a marcar a sua carreira e o debate público sempre que o festival entra em polémica.
Para lá da intervenção política, Salvador Sobral continua também ativo no plano artístico. Está atualmente em digressão com os leirienses First Breath After Coma, num projeto híbrido entre concerto e peça de teatro que nasceu de uma residência artística em Pombal e que culminará também num álbum conjunto.
O espetáculo, apresentado em Lisboa, Leiria e Ílhavo, foge ao formato tradicional de concerto e aposta numa experiência imersiva, com narrativa, cenografia e momentos performativos que diluem a fronteira entre palco e plateia — algo que o próprio cantor descreveu como uma “experiência de liberdade criativa que não fazia sentido antes”. As apresentações decorreram ao longo de janeiro em Lisboa e Leiria, com a última marcada para 24 de janeiro, em Ílhavo.

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