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Vítor Cabral: o Pai Natal da Baixa de Setúbal já veste o fato há 5 anos

É natural de Alhos Vedros e trabalhou num banco. Agora, já reformado, anda a espalhar magia na cidade.
O Pai Natal a chegar a Setúbal. Foto: Município de Setúbal.

De barbas brancas e vestido a rigor com um fato vermelho é impossível não dar por ele quando vamos passear à Baixa setubalense. Está instalado numa casa vermelha e toda enfeitada, com renas à entrada a proteger quem está lá dentro. A porta da casa está aberta e convida-nos a entrar. Não, não se trata de um armário que nos leva para Nárnia mas um sítio igualmente mágico. Sentado confortavelmente na sua cadeira ‒ também vermelha ‒ está o Pai Natal, prontíssimo para responder aos pedidos dos miúdos. 

A New in Setúbal não aguentou a curiosidade e quis descobrir mais sobre este senhor que anda a passear e a encantar todos os que passam pela Baixa da cidade. É ele quem costuma ouvir as histórias dos miúdos mas agora é a vez de contar a sua. Por detrás da fatiota e das barbas brancas esconde-se Vítor Cabral, de 64 anos.

Vítor mora em Alhos Vedros e foi através da Associação Aliusvetus, uma organização de eventos de recriação histórica, que teve a oportunidade de encarnar o famoso velho das barbas conhecido em todo o mundo. Já o faz desde 2017 e, em conversa com a NiS, revela que “todos os anos são especiais e gratificantes”.

Antes de se sentar na cadeira do Pai Natal trabalhava no banco da Caixa Geral de Depósitos sem saber que um dia iria ser ele a causa da alegria e do sorriso de tantos miúdos. Foi também escuteiro e catequista numa Igreja em Alhos Vedros e, desde que se lembra, sempre teve um gosto enorme em trabalhar com os mais novos. Atualmente está reformado e dedica parte do seu tempo em atividades com a associação alhosvedrense, como é o caso das feiras renascentistas no Forte de São Filipe em Setúbal. 

O Pai Natal na casa da Baixa.

Já está habituado a representar várias personagens mas a verdade é que não há nenhuma como o Pai Natal. “É muito gratificante e engraçado este contacto que tenho com os miúdos. Preciso de os cativar logo num primeiro olhar”, conta Vítor Cabral. 

Por lá passam meninos de várias idades e todos eles são diferentes. Há quem tenha receio do Pai Natal e outros que já não acreditam na existência daquele senhor que dá presentes aos miúdos à meia-noite do dia 25 de dezembro. Ainda assim o Pai Natal dá uso à sua magia e, apesar do frio que está na Lapónia, consegue quebrar o gelo. 

“Costumo chamá-los para virem ter comigo e convido-os a tirarem uma fotografia, como se fosse um favor para mim. Digo-lhes que vai ser bonito recordarem-se deste momento quando forem mais crescidos”, revela.

Este ano ainda não é possível abraçarem-se, mas podem sentar-se no banco e ficar frente a frente. É ali, naquele lugar seguro, que contam ao Pai Natal tudo o que querem receber nesta quadra natalícia. Há quem tenha uma lista cheia, outros só querem um simples brinquedo ou apenas saúde para a sua família a amigos. 

Sempre pronto a ouvir os pedidos dos miúdos.

“Num mundo consumista como o que vivemos hoje em dia, é interessante observar que existe uma consciência social nos mais novos. Muitos deles desejam que um familiar fique bem de saúde, outros pedem que a Covid-19 acabe e isso demonstra que a pandemia e este afastamento entre as pessoas realmente deixou marcas nos mais novos”, reflete.

Depois deste contacto com o Pai Natal, os miúdos saem daquela casa satisfeitos e maravilhados com a magia que acabou de acontecer mas não são os únicos. O senhor que se esconde por detrás do fato vermelho também não fica indiferente a estes momentos. Nas conversas com os mais novos, Vítor recorda-se dos seus três netos, também eles pequeninos que se encontram longe do avô.

“Este contacto é também uma forma de ficar bem comigo próprio. Não estou com os meus netos tantas vezes como gostaria porque estão longe de mim. Ao falar com estas meninos, sinto que também estou a falar com eles”, confessa.

Em conversa com a NiS, o alhosvedrense conta que sempre viveu muito o espírito natalício com a família. Era ele que, no meio dos irmãos mais novos e dos primos, aparecia vestido de Pai Natal à meia-noite. Já com experiência no currículo continua a vestir-se de vermelho com a diferença de que não se fica só por casa. No fim do dia, afirma que “o trabalho é cansativo mas recompensador”.

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