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Pão, luz e comunicações: todas as subidas de preços que vão pesar nas contas de 2026

Apesar da subida do salário mínimo, os preços dos serviços essenciais não vão dar tréguas.

Acabar ou começar o ano a fazer contas não é, claramente, o cenário ideal para os portugueses. Mas 2026 promete trazer mais uma ronda de aumentos de preços em produtos e serviços. E muitos já estão confirmados.

Logo nos primeiros dias de janeiro, quem for às compras vai sentir mudanças nos preços de bens essenciais. O pão, algumas carnes e o peixe devem ficar mais caros. Já o leite, os ovos e o azeite deverão manter-se estáveis.

Para quem vive em Lisboa, também haverá novidades nos transportes públicos. A partir de 1 de janeiro, a capital passa a ter novas tarifas. Os passes mensais mantêm-se, mas os bilhetes ocasionais sobem. As novas tabelas estão disponíveis nos sites do Metropolitano de Lisboa e da Carris

Com milhões de portugueses a fazer contas ao cêntimo, antecipamos os principais aumentos (e algumas descidas) já confirmados para 2026.

Transportes

Os passes do tarifário Navegante vão manter os preços praticados, mas os passageiros ocasionais poderão ter que pagar mais em alguns transportes públicos. O bilhete combinado de autocarro e metro (válido durante uma hora) passará a custar 1,90€, em vez dos habituais 1,85€. O Zapping aumenta de 1,66€ para 1,72€ e no caso do Contacless (pagamentos feitos diretamente com o cartão bancário) aumenta de 1,85€ para 1,92€.

A tarifa dos autocarros da Carris, por sua vez, vai passar de 2,20€ para 2,30€. Já os elétricos, vão passar a custar 3,20€, os ascensores 4,20€ e a tarifa Bordo Santa Justa 6,10€ (para até duas viagens).

O bilhete “Carris/Metro/Transtejo (Cacilhas)”, um título de transporte de 24 horas que permite utilizar todos os transportes públicos (Carris, Metro, elevadores, ascensores e o barco da Transtejo para Cacilhas) na Área Metropolitana de Lisboa, vai passar de 10€ para 10,35€.

No caso da Comboios de Portugal (CP), o valor do Passe Ferroviário Verde e dos passes Navegante e Andante não terão qualquer alteração, mas os novos preços dos bilhetes apresentam um aumento médio de 2,26 por cento. 

Em Lisboa, o bilhete inteiro nos Comboios Urbanos vai rondar entre os 1,50€ (para uma zona) e 3,90€ (oito). Atualmente, variam entre os 1,45€ e os 3,80€, respetivamente. A assinatura de 30 dias também sofrerá uma alteração: uma zona vai passar de 29,75€ para 30,45€; enquanto duas vai aumentar de 31,65€ para 32,35€.

No Porto, os valores vão variar entre 1,65€ (uma zona) e os 6,60€ (17 zonas). A assinatura normal, por sua vez, vai rondar entre os 34,90€ e os 142,10€, respetivamente. Em Coimbra, os Comboios Urbanos vão variar entre os 1,75€ (uma zona) e os 3,10€ (cinco zonas). As assinaturas normais começam nos 28,15€ e podem chegar aos 65,45€, respetivamente. 

Portagens

As portagens das autoestradas vão subir 2,29 por cento em 2026, seguindo a inflação homóloga de outubro, com 0,1 por cento extra para compensar as concessionárias. Este aumento resulta de um acordo feito em 2022, quando o Governo travou uma subida de cerca de 10 por cento em 2023.

Há, no entanto, boas notícias para alguns condutores. A partir de abril, deixam de se pagar portagens em toda a A25 (Costa da Prata e Beiras Litoral e Alta) e em dois troços da A6 e da A2 no Alentejo. No segundo caso, a isenção aplica-se apenas a residentes e empresas sediadas nas áreas de influência das autoestradas.

Além disso, segundo o Orçamento do Estado para 2026, os veículos pesados passam a estar isentos de portagens na Circular Regional Exterior do Porto (A41) e em troços da A19 e da A8, na região de Leiria.

Eletricidade

A conta da luz vai subir ligeiramente em 2026 para quem está no mercado regulado. Porém, depois da subida de 2,1 por cento em 2025, o aumento vai ser menos sentido na carteira dos portugueses.

A partir de 1 de janeiro, a fatura aumenta, em média, 1 por cento, o que representa mais 18 a 28 cêntimos por mês, já com taxas e impostos, segundo a ERSE, o regulador do setor energético. Na prática, um casal sem filhos passa a pagar cerca de 36,82€ mensais, enquanto um casal com dois filhos terá uma fatura média de 95,03€.

Quem beneficia da tarifa social continua a ter um desconto de 33,8 por cento, o que significa uma poupança média de 13,50€ para um casal sem filhos e de 32,95€ para um casal com dois filhos.

Telecomunicações

Ainda que não avancem valores, as principais operadoras de telecomunicações vão voltar a atualizar preços em 2026, acompanhando a inflação, A NOS já confirmou que vai aumentar o valor de alguns serviços no próximo ano e a MEO também avançará com subidas, embora fiquem de fora os serviços Uzo e Moche, tal como já tinha acontecido antes.

A Vodafone entra em cena a 9 de janeiro, com atualizações que podem ir “até ao valor máximo da inflação prevista para 2025”. “A atualização de preços não se aplica a novos contratos ou renovações, feitos a partir de 11 de novembro, do segmento particulares. Não se aplica, também para estes clientes, a pré-pagos e aos tarifários mais recentes, nomeadamente, RED All In, Yorn Chill e Net+ e oferta Black Friday”, acrescenta.

Rendas

As rendas das casas vão poder aumentar até 2,24 por cento em 2026, caso os senhorios decidam aplicar a atualização anual. O valor foi definido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base na inflação. Apesar da subida, o aumento mantém-se abaixo dos valores registados há dois anos.

Na prática, isto significa uma subida de 2,2€ por cada 100 euros de renda. Feitas as contas, uma renda de 500€ pode aumentar 11,20€ por mês. Já num valor mais elevado, como uma renda de mil euros, o acréscimo será de 22,40€ em 2026.

Comida

A ida ao supermercado vai continuar mais cara em 2026. Segundo a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), os preços da generalidade dos alimentos deverão voltar a subir, com a carne e o peixe a liderarem os aumentos, estimados em cerca de 7 por cento no próximo ano.

Assim que for ao supermercado nos primeiros dias de janeiro já deve sentir o aumento de alguns bens essenciais. As estimativas apontam para que um quilo de carne de novilho, por exemplo, aumente de 16€ para 17€. Os preços da carne de vaca e dos peixes subirão cerca de 6 por cento. 

Também o pão e os produtos de pastelaria deverão ficar mais caros, ainda que de forma ligeira. O aumento será influenciado pela subida do salário mínimo nacional, pelos custos com ovos, frutos secos e embalagens de cartão, e poderá agravar-se caso o Estado retire os apoios aos combustíveis.

Uma boa notícia, é que a carne de porco, o leite, os ovos, o azeite e o café não deverão aumentar, pelo contrário, podem descer nos próximos meses, segundo os produtores.

O presidente da associação, Gonçalo Lobo Xavier, que representa cadeias como Continente, Pingo Doce, Lidl e Auchan, admite que a subida é “inevitável”, pressionada pelos custos de produção e de operação ao longo da cadeia alimentar.

Estes aumentos deverão ser acompanhados pelo aumento do salário mínimo bruto, que irá passar de 850€ para 920€ em Portugal.

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