na cidade

Neste refúgio alentejano à beira de uma barragem só vai ouvir os pássaros a cantar

Vasco Gallego tem o Hotel Vale do Gaio há 16 anos e o objetivo é que seja um recanto sossegado ideal para descansar.
O paraíso.

Silêncio absoluto. Esta é a banda sonora que muitos de nós gostavam de ouvir durante momentos, depois de muito stress e agitação típicos do dia a dia. Nem sempre é fácil encontrar o refúgio perfeito porque nas falhas de uns, complementam-se outros, mas é complicado ter o spot em que nos sentimos verdadeiramente bem e em paz. Descobrimos um local, à beira de uma barragem, onde essa é a promessa principal: encontrar nada mais do que silêncio.

Estamos a falar do Hotel Vale do Gaio, em Torrão, concelho de Alcácer do Sal. Fica mesmo à margem da barragem que batiza o estabelecimento, a Barragem Vale do Gaio. “Um imenso silêncio. Depois, os horizontes a perder de vista. O verde das searas. Os campos lavrados ou de pousio. As manchas cinzas dos olivais e do montado. E, sobre esta harmonia absoluta e indizível, o silêncio. Sempre” é o que oferece o hotel, com piscina, a todos os que escolham o local para uns dias de férias.

Quem vem do Alentejo — e Setúbal é uma zona com muita população que praticou, em anos anteriores, o êxodo rural para se fixar no litoral — recorda a calma e o sossego da brisa dos campos e do cheiro a trigo tão característico. Para quem visita, ficará encantando com, e é uma frase do próprio local, “os chocalhos de um rebanho se ouvem ao longe, do outro lado da barragem”. A essência desta pousada vai além do que pode oferecer enquanto hóspedes — pede que se encontrem enquanto pessoas.

“Aqui, sentimos que ainda é possível reconciliarmo-nos com a vida. Esquecer tudo e começar de novo. Acreditar que as coisas acontecem pela sua ordem natural. É este sábio e justo equilíbrio com a natureza, a impressão mais duradoura que trazemos na memória”, lê-se e decora-se, porque é o que todos queremos ouvir.

Vasco Gallego, 60 anos, natural de Lisboa, tem este espaço há cerca de 16 anos e é exatamente essa a mensagem que quer deixar, sem muita divulgação, para manter sempre a essência do sossego e serenidade. “É um canto escondido e guardado que quero preservar. É para quem quiser ouvir o barulho do silêncio. Eu apaixonei-me pelo sítio e quero que as pessoas sintam o mesmo”, diz à NiS.

Gaio. “Só um nome de pássaro seria suportável nesta harmonia. A casa é o seu ninho. É esse conforto doméstico que sentimos, mal franqueamos as suas portas. Ao fim da tarde, na esplanada debruçada sobre a barragem, vemos o sol cair de mansinho. As cegonhas pescando junto às margens. Os pássaros procurando os ninhos para passarem a noite. Talvez um gaio ande perdido na noite, à procura do seu pouso. E nós no ninho do gaio, melhor, no Hotel de Vale do Gaio, esquecidos do mundo” — é um cenário quase idílico, mas que pode acontecer num sítio ideal para casais ou que tenham filhos com mais de 14 anos.

Os quartos e o restaurante

O Hotel Vale do Gaio tem seis tipos de quarto disponíveis: o standard sem vista, com cama de casal (desde 125€ por noite), o view, com cama de casal com vista agradável para o lago da barragem (desde 140€ por noite), o superior view plus, com vista nascente também para as águas da barragem (desde 165€ por noite).

Nas hipóteses contemplam-se ainda o superior view, com varanda e vista para o lago da barragem (desde 180€ por noite), o superior view plus (desde 215€ por noite) e o superior view master (desde 265€ por noite). Todos os quartos têm televisão e canais premium, ar condicionado, telefone com multilinhas e gravador de mensagens, chamadas de despertar, limpeza diária de quartos, produtos de higiene pessoal gratuitos e secador.  

Claro que não há nada melhor do que aproveitar em pleno a possibilidade de desfrutar da calmaria do Alentejo e de um local com uma vista incrível sem ser necessário sair do local. Por isso mesmo, além do pequeno-almoço — servido das 9 horas às 10h30 —, o Hotel Vale de Gaio tem ainda um restaurante, onde pode “desfrutar de um almoço com uma vista panorâmica ou para um jantar à luz das velas com música relaxante”. O próprio Vasco, proprietário do estabelecimento, teve o seu próprio restaurante em Lisboa durante 32 anos.

O horário de almoço é das 13h05 às 14h50 e o de jantar das 20h05 às 21h50. Para reservar deve ligar para o número de telefone 265 669 610 ou enviar email para reservas@nullvaledogaio.com. Entre as várias opções do menu, que pode ser consultado no site oficial do hotel, não pode faltar, claro, a bela e típica açorda alentejana.

A vila de Torrão

A freguesia de Torrão fica situada a 35 quilómetros de Alcácer do Sal, a 87 de Setúbal e a 45 de Évora. Segundo o Município de Alcácer do Sal, o nome atual [Torrão] tem origem na palavra torrejam, que significa ‘torre grande’”. Este local teve uma grande importância histórica para a região e para as povoações que por aqui passaram. “Foi zona de alguma importância no Período Romano e esteve também sob a influência árabe. A libertação deste domínio deu-se em 1217 (quando Alcácer do Sal também foi libertada) e o Torrão foi então doado à Ordem de Santiago”.

Os tempos passaram e “a Ordem aforou o Torrão em 1260, passando a ser vila da Ordem, e novo foral viria a ser concedido à vila em 1512, por D. Manuel I. Em 1490, D. João II, por altura do casamento do seu filho em Évora, concedeu as rendas de um ano de várias vilas, entre as quais a do Torrão”. Mais tarde, “o concelho foi anexado ao de Alvito, tendo depois transitado para o de Alcácer do Sal, por decreto de 3 de abril de 1871. Pertencem a esta freguesia as seguintes localidades: vila do Torrão, São Romão, Rio de Moinhos, Mil Brejos Batão e Casa Branca”.

Ainda por aqui se veem artes ancestrais, trabalhadores com profissões quase extintas, como quem faz miniaturas de madeira, cerâmica pintada à mão, ferradores e ferreiros, empalhamento de cadeiras, rendas e bordados. Há ainda a produção de cortiça, o vinho, azeite e pão, além da pecuária e agricultura. “Na gastronomia, destaque para a doçaria conventual: ninguém resiste às queijadas e ao bolo real”, realça a autarquia, sem esquecer o património edificado da localidade.

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