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Murais setubalenses viajam pelo mundo e integram exposição na Sérvia

A mostra “Liberdade” pretende relembrar as bases fundamentais que devem ser garantidas à população. Setúbal tem sete fotografias.
Setúbal tem sete fotografias na mostra.

Ter uma casa grande, um carro de luxo, um relógio de marca, roupas caras ou o telemóvel de última geração são prazeres que nos iam deixar a todos felizes, é certo. E achamos isso porque, no geral, há acesso aos cuidados básicos e necessários para viver. Mas, e se, por momentos, faltassem? A perspetiva mudava e a nossa visão sobre o mundo também.

O que é verdade é que, para muitas pessoas, esta é a única realidade que existe e é esse o alerta que a exposição “Liberdade” pretende destacar. A paz, o pão, a habitação, a saúde e a educação são os cinco temas pelos quais se distribuem as fotografias de murais em exposição desde dia 16 de maio, em Belgrado, na Sérvia. Entre as obras de arte, estão fotografias dos murais da cidade de Setúbal.

É importante relembrar que estes cinco elementos são pilares que deviam ser garantidos a toda a população — assim como a própria liberdade. Composta por 20 imagens de pinturas murais executadas em Portugal, entre 1974 e 2024, a mostra tem lugar na sequência de um convite do Centro da Língua Portuguesa do Instituto Camões em Belgrado, feito ao projeto “Histórias que as Paredes Contam”.

Com o intuito de assinalar os 50 anos da Revolução dos Cravos, “Liberdade” apresenta-se no KC Grad — Centro Europeu para a Cultura e o Debate, integrada no programa comemorativo do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se celebrou a 5 de maio. Aos partidos que ainda existem e a outros, entretanto extintos, são algumas das estruturas que assinaram a autoria dos murais. Setúbal está representada na exibição com sete imagens, sendo as restantes de pinturas realizadas em Lisboa, Porto, Corroios, Amadora, Cacém e Montemor-o-Novo.

Os registos de Setúbal são de Helena de Sousa Freitas, que também assume a curadoria da mostra. Os restantes pertencem a António da Paixão Esteves, detentor da maior coleção nacional de fotos de murais. “A par da presença da exposição na capital sérvia, está a ser equacionada uma fase de itinerância, para a levar a outros pontos do país, como Novi Sad ou Nis”, revela Helena Freitas, que vê com “vivo entusiasmo” a internacionalização do projeto que coordena.

O “Histórias que as Paredes Contam — 50 anos de Muralismo em Setúbal”, que desde setembro de 2023 desenvolve na cidade um conjunto de eventos no âmbito dos 50 anos do 25 de abril, já promoveu um ciclo de cinco conversas públicas sobre muralismo, a pintura de cinco murais, em vários pontos da cidade, bem como uma primeira mostra fotográfica, intitulada “Paredes Limpas, Povo Mudo”, acolhida pela Casa da Cultura em dezembro e, numa versão ampliada, pelo Instituto Politécnico de Setúbal, em maio.

Está a ser preparado um álbum de imagens e histórias sobre a prática muralística em Setúbal, que terá o contributo de cerca de uma dezena de fotógrafos. Com chancela do Monte de Letras e incluído no Programa das Comemorações Nacionais dos 50 anos do 25 de Abril, o projeto deve o nome à tese de doutoramento que Helena de Sousa Freitas defendeu no ISCTE-IUL, em 2019.

Tem por parceiros a Câmara Municipal de Setúbal, através do programa “Venham Mais Vinte e Cincos”, o Instituto Politécnico de Setúbal, a Associação dos Municípios da Região de Setúbal, a Junta de Freguesia de São Sebastião, a União de Freguesias de Setúbal, a União Setubalense e a Associação Cultural Festroia.

Recorde o artigo sobre o mural dedicado à Palestina, na Avenida da Portela, mas também o que nasceu no Bairro 2 de Abril, além da obra que enriqueceu o Bairro do Liceu e, por último, o mural virado para o rio Sado, que faz alusão ao aumento dos preços da travessia para Tróia.

Já que aqui está, carregue na galeria para ver imagens, cedidas por Helena de Sousa Freitas, de alguns murais pintados em Setúbal entre os anos 90 e 2000.

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