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Maria das Dores Meira: “Vamos continuar a virar a cidade para o rio”

A presidente da Câmara de Setúbal falou em exclusivo à New in Setúbal sobre a importância da Semana do Mar para a sensibilização da população.

A Semana do Mar termina domingo.

A quarta edição da Semana do Mar está a decorrer desde segunda-feira, 8 de outubro, e vai prolongar-se até domingo, 14 de outubro. Ao longo de toda a semana há várias atividades relacionadas com o tema, como visitas ao Navio Escola Sagres, à Caravela Vera Cruz, passeios de barco, assim como várias conferências e palestras que juntam em Setúbal os maiores especialistas nacionais.

À margem desta iniciativa, a New in Setúbal esteve à conversa com a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, que aproveitou a ocasião para reforçar a importância desta semana para a sensibilização da população para a preservação dos recursos marítimos. A autarca sublinha ainda a necessidade de criar projetos, que voltem a cidade para o Rio Sado.

Qual o objetivo da Semana do Mar?

Começámos esta atividade há três anos, em parceria com a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), comunidade portuária, Aporvela – Associação Portuguesa de Treino de Vela, capitania do Porto de Setúbal, ICNF e APA – Agência Portuguesa do Ambiente. Uma série de entidades, que se associaram à Câmara de Setúbal para comemorarmos o mar. Queremos fazer com que as pessoas percebam que o mar é uma grande parte do nosso planeta, ocupa mais espaço que a terra e que pode ter recursos infindáveis, que não eram encarados como tal. Olhava-se para aquela imensidão de água e não se percebia as suas potencialidades do ponto de vista económico, industrial, social e de lazer. Por isso, é preciso preservar e conhecer este recurso. É nesse sentido que fazemos esta semana, com o objetivo de sensibilizar toda a gente para a importância do mar, para a pesca e todos os recursos. Começámos a fazer esta boa peregrinação, que se chama sensibilização.

Considera urgente uma mudança de mentalidades?

O mar tem de ser olhado de outra forma e não pode ser poluído pela atividade comercial e individual dos cidadãos, com os plásticos. Agora está muito na voga e é importante lembrar que em 2030, se não fizermos uma alteração à nossa atitude podemos ter oito milhões de toneladas de plásticos no mar, que pode ser superior ao número de peixes nos oceanos. É nesse sentido que fazemos a atividade. Na Câmara tem havido uma sensibilidade tão grande, que até temos uma embarcação, que é a Maravilha do Sado, que recuperámos para fazer passeios e aulas do primeiro ciclo no mar. As turmas podem inscrever-se e dar aulas de Biologia, participar em atividades ligadas à biodiversidade e vida no mar.

Que importância tem o mar para Setúbal?

A pesca, o porto comercial, que é um dos terceiros mais importantes do País. Só esse porto pode criar centenas de postos de trabalho, porque toda a atividade comercial e industrial passa por ali. Se não houvesse mar em Setúbal, não havia porto e tínhamos a riqueza reduzida. O Porto de Setúbal situa-se na Península da Mitrena e esta área tem o segundo PIB mais importante de Portugal pela concentração do tipo de empresas sediadas. A piscicultura, aquacultura, ostracultura, o lazer e o turismo. O mar traz-nos o turismo. É claro que sem mar podíamos apostar no enoturismo, mas o mar é um complemento muito importante para a atividade turística. E depois a comunidade de roazes-corvineiros não existia, senão houvesse mar.

Na Câmara tem havido uma sensibilidade tão grande, que até temos uma embarcação, que é a Maravilha do Sado, que recuperámos para fazer passeios e aulas do primeiro ciclo no mar.

Que projetos é que a Câmara de Setúbal tem em marcha para potencializar a relação dos setubalenses com o mar?

No passado era outro contexto e realidade económica, social e histórica. As pessoas estavam de costas voltadas para o mar, porque era muito mais importante ter fábricas perto do mar, um porto de pesca a fornecer as fábricas com peixe. Era preciso haver fábricas de recuperação naval, algumas artesanais ou mais sofisticadas para a época tinham de estar perto do mar. Toda essa atividade criou uma certa barreira entre o rio e a cidade. Hoje a cultura é outra, a pesca reduziu, as fábricas desapareceram. Não há necessidade de termos armazéns para a recuperação naval na costa, podem estar noutro sítio. E tudo isso fez com que reabilitássemos a cidade. Vamos continuar a virar a cidade para o rio. Estamos a recuperar do ponto de vista de reabilitação urbana. A frente ribeirinha vai mudar. O próprio Porto de Setúbal está a sofrer obras de alargamento dos terminais.

Tem-se registado um aumento do número de turistas e de pessoas que escolhem Setúbal para viver?

Sim, muito. Só de franceses estão cerca de mil a viver na cidade permanentemente. Agora, em termos de turistas, tem sido esta reabilitação de Setúbal, a comunicação com o mundo a dizer que nós existimos e os projetos comunitários. O facto de estarmos no Clube das Mais Belas Baías do Mundo também foi um fator muito importante de divulgação e promoção da cidade.

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