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Maria das Dores Meira: “Só uma grande cidade como a nossa conseguiria produzir uma festa tão rica”

A Presidente da Câmara Municipal de Setúbal falou com a New in Setúbal sobre a edição deste ano da Feira de Sant'Iago, o crescimento do turismo e o rejuvenescimento das lojas e restaurantes da cidade.

A Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, inaugura oficialmente a Feira de Sant’Iago no próximo sábado, dia 21 de julho. Será a nona edição do evento — que todos os anos recebe cerca de 400 mil visitantes — que contará com um discurso de abertura da autarca.

À frente dos destinos da Câmara Municipal de Setúbal desde 2009, Maria das Dores Meira antecipa as novidades que a edição de 2018 da Feira de Sant’Iago e recorda a aposta que tem sido feita ao longo dos anos pela autarquia, em conjunto com as empresas, os produtores e as entidades locais para transformar o evento num dos maiores do nosso País.

Que expetativa tem para a edição deste ano da Feira de Sant’Iago?
A Feira de Sant’iago continua a ser uma das mais populares festas da região do sul do país e, como é natural, temos elevadas expetativas para o que é o maior ponto de encontro de setubalenses e de muitos dos que, regularmente, nos visitam nesta altura do ano. Estas são as nossas expetativas, mas estamos certos de que, com tudo o que preparámos para a edição deste ano, mais de quatro séculos depois de a feira se ter começado a realizar, vamos, certamente, corresponder ao que os visitantes do certame dele esperam. Assim é porque, de facto, continua a ser polo expressivo de oferta de cultura e lazer à nossa população e aos que nos visitam, contabilizando mais de 400 mil visitantes por edição.

Vai haver várias novidades, como um novo espaço coberto para as exposições. É uma preocupação da autarquia apresentar sempre coisas novas a quem visita a feira?
Sim, temos sempre essa preocupação porque, desde sempre, se assumiu que a feira é um espaço de tradição que se renova e que deve, sempre, apresentar coisas novas a quem a visita. Apesar de se realizar há mais de quatro séculos e de já ter estado sedeada em vários locais, do Parque do Bonfim ao Largo de Jesus, passando pela Beira-Mar e pela Avenida Luísa Todi, a Feira consegue sempre surpreender pela renovação e inovação que apresenta a quem a visita. A nossa feira é feita de muita coisa. É feita, acima de tudo, de pessoas para quem este é o maior ponto de encontro de setubalenses; para quem é o espaço de festa e de animação popular que mais gente reúne, todos os anos, no nosso concelho. Sempre assim foi, sempre assim continuará a ser. Porque a feira, onde quer que ela se realize, será sempre a feira. Nunca tivemos, sobre esta matéria, uma visão fechada e definitiva. Pelo contrário, e temo-lo afirmado sempre, estamos sempre disponíveis para, de acordo com as circunstâncias e condições da cidade, tomar as melhores decisões sobre esta matéria. A verdade é que há toda uma geração de gente nova que é cada vez mais adepta da Feira de Sant’Iago e que, seguramente, continuará a fazer dela um dos maiores eventos populares do nosso país.

Estão igualmente previstos muitos concertos. Há algum que queira destacar?
Seria injusto destacar apenas um, tantos são os espetáculos de qualidade que vão passar pelos palcos da feira. Quero, contudo, destacar, para lá dos grandes nomes que todos conhecem, os artistas setubalenses que marcam presença na feira e que, seguramente, vão merecer a atenção de quem for lá, seja para comer uma fartura, uma bifana ou a tradicional bolacha Piedade – bolacha nascida há décadas na feira e apenas para ser consumida no período da feira, mas que, entretanto se transformou num ex-libris da nossa doçaria.

“Há toda uma geração de gente nova que é cada vez mais adepta da Feira de Santiago e que, seguramente, continuará a fazer dela um dos maiores eventos populares do nosso país”

O crescimento da feira de Sant’Iago é um espelho do crescimento da cidade e, em particular, da oferta da cidade ao nível de restaurantes, lojas e eventos culturais?
A Feira de Sant’iago sempre foi autónoma em relação a esses movimentos urbanos. Sempre teve forte identidade e os seus costumes próprios, Naturalmente que não será alheia à fase de crescimento e de maior notoriedade por que passa Setúbal, mas tudo o que faz da feira o que ela sempre foi continua lá. Porque é muita coisa, para diferentes públicos. É a feira dos grandes espetáculos, a feira dos divertimentos, a feira onde se reencontram amigos, a feira das farturas, das bifanas, do algodão doce. Claro que é também o espelho de Setúbal, porque só uma grande cidade como a nossa conseguiria produzir uma festa tão rica.

Quem circula pela cidade apercebe-se que há muitos espaços novos. Tem havido um rejuvenescimento neste sentido?
Tenho a certeza que está a haver… A cidade e o concelho têm hoje uma muito maior projeção externa, fruto do trabalho que muitos agentes locais, com a Câmara Municipal, têm feito para repor Setúbal no lugar que sempre mereceu. Isto é também fruto do enorme investimento que a autarquia tem feito nos últimos anos na requalificação urbana, na criação de novos equipamentos culturais, na oferta de mais e melhores condições para quem aqui quer investir. E temos visto os resultados disso nesse rejuvenescimento de que fala. É que, criar condições para que haja mais investimento não pode significar apenas conceder apoios financeiros ou facilidades fiscais. No nosso caso é também dotar a cidade e o concelho de melhores condições para quem aqui vive, condições estas que sejam capazes de atrair o investimento, seja no turismo, seja noutras áreas. Quem visita hoje Setúbal sente essa diferença. Creio que essa perceção é consensual.

A cultura do lifestyle já faz parte dos setubalenses?
Sempre fez parte dos setubalenses, com a diferença de que, antes, havia menos espaços para a praticar. Mas nós aqui há muito que temos uma diferente qualidade de vida, longe do stress lisboeta, da pressa em chegar ao trabalho e sair do trabalho. Aqui sempre vivemos com a praia a cinco minutos, com a serra da Arrábida ao lado, com Lisboa logo ali… Sempre tivemos o nosso peixe assado a sair da grelha, os vinhos extraordinários. Costumo dizer que éramos um diamante por lapidar. Hoje digo que já temos muitas das nossas faces bem polidas e vamos continuar a dar brilho a esta extraordinária terra.

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