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Mais do mesmo: acesso às praias da Arrábida deverá continuar fechado este ano

Apesar das promessas de André Martins, a autarquia continua sem encontrar uma solução para o tema. Setubalenses estão desesperados.
Ainda não há solução à vista.

No dia 8 de fevereiro de 2023, a Câmara Municipal de Setúbal encerrou o troço da Rua Círio da Arrábida entre as praias da Figueirinha e Galapos. Em causa estava o risco de deslizamento de um bloco rochoso com cerca de mil toneladas.

Na altura, o presidente do município, André Martins, afirmou que no dia 28 desse mês deveriam estar concluídos os estudos preliminares com vista à resolução do problema. “É o prazo que entendemos necessário para concluir os estudos, fazer as avaliações e decidir que medidas tomar no sentido de controlar a situação e também o risco e o perigo iminente que é considerado neste momento”.

Porém, tal como a New in Setúbal lhe contou, um ano depois, o troço mantém-se fechado para toda a gente, para desespero de milhares de setubalenses — que acabaram mesmo por desistir de frequentar as praias da Arrábida, uma vez que têm de realizar uma viagem de uma hora (ida e volta). Antigamente, este percurso era realizado em 20 minutos.

Neste cenário, em junho do ano passado, a autarquia reuniu com as secretarias do Estado do Ambiente e da Conservação da Natureza, onde foi decidido “que era necessário contactar empresas da especialidade com o objetivo de ajudarem na definição do caderno de encargos e do valor base para o lançamento do concurso público para a elaboração do referido estudo”. A Câmara Municipal de Setúbal diz ainda que enviou para os gabinetes dos governantes “o resultado dos contributos das empresas”, em outubro de 2023, aos quais não obteve resposta.

Face ao silêncio das secretarias do Estado do Ambiente e da Conservação da Natureza, André Martins anunciou que pretende reunir com o novo governo, assim que este estiver em funções, para se encontrar uma solução para o bloco rochoso em risco de queda na Arrábida. Ou seja, só depois de 10 de março, se for constituído o próximo governo, é que deverá ser marcada uma reunião para se avançar com um estudo e possíveis soluções para o problema que levou ao fecho da estrada.

Com abertura de um concurso público para nomear a empresa que fará o estudo, a própria análise científica do problema, a resolução e o arranjo de possíveis danos colaterais à estrada, é muito provável que este ano, durante a época balnear, o acesso às praias da Arrábida se mantenha condicionado.

“Vamos continuar a insistir com o governo para que assuma as responsabilidades que já reconheceu e, no primeiro dia em que o novo governo estiver em funções, tomarei a iniciativa de pedir de imediato uma nova reunião com quem tiver a tutela desta área, para avançar com as necessárias soluções”, afirmou o presidente André Martins na passada terça-feira, 20 de fevereiro.

O autarca lembrou que tomou a decisão de encerrar a estrada “na sequência de uma reunião da Comissão Municipal de Proteção Civil e, perante a evidência das imagens que foram apresentadas” quanto ao risco de queda da rocha. “O risco de queda do bloco está bem documentado por análises técnicas que não podemos ignorar. É manifestamente perigoso circular por aquela estrada nas atuais circunstâncias”. E salientou que a Câmara Municipal começou a “trabalhar nas necessárias soluções” logo que o problema foi detetado, apesar de, como sublinhou, a resolução não é da competência da autarquia.

O responsável pelo executivo sublinhou que o bloco rochoso está localizado “em propriedade privada situada num parque natural, onde a Câmara Municipal não tem competências para intervir”.

“A segurança de pessoas e bens é um valor fundamental que, enquanto presidente da Câmara Municipal, não posso, de forma alguma, descurar. Comigo, e sempre que existam indicações seguras de que há um risco real, tomarei as devidas medidas. Compreendemos perfeitamente os transtornos causados a todos os que utilizam esta zona e que aqui têm os seus negócios, mas a verdade é que não nos restou outra alternativa. Tudo continuaremos a fazer para resolver este problema”.

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