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Lixo despejado na Arrábida pode contaminar os solos nos próximos anos

Paulo Sá Caetano, especialista em Geologia, alerta para os riscos do aterro do Sesimbra.
O aterro fica no Zambujal de Cima.

Há uma empresa a despejar lixo ilegalmente num aterro a céu aberto no Zambujal de Cima, concelho de Sesimbra. A empresa em questão é a Greenall Life, que mantém as descargas de resíduos, mesmo depois da revogação da licença de exploração. 

O documento foi emitido em junho de 2019, pela CCDR-LVT — Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, mas a movimentação dos camiões mantém-se. Na sequência de uma ação de fiscalização, a CCDR confirmou a receção dos resíduos e enviou uma queixa para o Ministério Público, onde acusa a empresa de desobediência. 

Para avaliar os potenciais riscos a longo prazo, resultantes do aterro, a New in Setúbal falou com Paulo Sá Caetano, licenciado em Engenharia Geológica e doutorado em Geologia, pela Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL).

À New in Setúbal, o professor do Departamento de Ciências da Terra explicou que “a confirmar-se a deposição de resíduos não adequados a este tipo de aterro de inertes, eventualmente até de resíduos contaminados, esta é uma situação grave do ponto de vista ambiental e de risco, pelo facto de o aterro estar instalado numa antiga pedreira, que explorou rocha calcária”. Nestes casos, segundo o especialista “estamos a falar de um ambiente geológico muito vulnerável à contaminação, daí só fazer sentido aceitarem-se resíduos inertes num aterro, a funcionar neste contexto”.

O aterro fica numa antiga pedreira, que explorou rocha calcária.

O aterro fica em pleno Parque Natural da Arrábida, a poucos quilómetros do Ribeiro do Cavalo, uma das praias selvagens mais famosas do mundo, e que atrai anualmente milhares de turistas no verão. Desde 2013 que os moradores do Zambujal de Cima e arredores se queixam do “cheiro e fumo intenso, que polui o ar diariamente”, devido aos depósitos realizados na antiga pedreira.

Em julho de 2013, data em que foi feito um aditamento à licença inicial para a deposição de novos resíduos, a Câmara Municipal de Sesimbra foi alertada para eventuais deposições de terras contaminadas neste aterro de inertes. Em abril de 2014, na Assembleia de Freguesia do Castelo foi aprovada uma moção, apresentada pelo Partido Socialista, que recomendou às entidades competentes que se investigasse a situação. Até agora, os resultados das análises aos resíduos não foram revelados. 

tags: aterro, Parque Natural da Arrábida, riscos, sesimbra, solos contaminados, Zambujal

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