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João Maria: “Adoro criar e aceito qualquer desafio”

Em entrevista à New in Setúbal, o decorador e criativo setubalense fala sobre o percurso profissional e paixão pela cidade.
A sua principal inspiração é o avô, Zé da Mota. Foto: Mário Romão.

João Maria Martins Carrajola dos Santos, mais conhecido por João Maria é o criativo setubalense mais famoso da sua geração. Neto de Zé da Mota, comerciante de tecidos da Baixa tem no avô e na cidade, que o viu nascer há 45 anos, as suas maiores inspirações. Em entrevista à New in Setúbal, João Maria fala do seu percurso pessoal e dos desafios e projetos mais marcantes da sua carreira, de 25 anos.

Espontâneo, irreverente, perfecionista, atento ao detalhe e apaixonado pela cidade, gosta de usar cores fortes e fugir dos padrões instituídos. Já decorou dezenas de espaços, em Setúbal, entre equipamentos municipais e privados.

A paixão pela decoração começou desde miúdo nas ruas da Baixa de Setúbal, onde viveu a sua infância. “Comecei a fazer montras com oito anos, nas lojas dos meus avós. Eles tinham um arquiteto, mas como achava aquilo muito clássico, quando ele ia embora, desmanchava tudo”, conta à New in Setúbal. Os comerciantes começaram a “achar piada ao miúdo que gostava de decorar”, e passaram a pedir ajuda para decorar os espaços. Nessa altura, organizou também desfiles de coleções da loja de miúdos, A Garotada.

Estudou Arte e Design no Liceu, mas a escola nunca lhe disse muito. “Como tinha o exemplo do meu avô, que com a quarta classe conseguiu criar tanta coisa, achei que devia seguir o meu sonho também”, explica. Aos 17 anos foi desafiado para ir trabalhar no atelier do costureiro Zé Carlos, em Lisboa. Fazia as montras, arrumava a loja, tendo sido o seu primeiro contacto mais sério com a alta costura.

João Maria foi o responsável pela decoração da Casa do Largo — Pousada da Juventude. Foto: Mário Romão.

Pouco tempo depois, percebeu que queria voltar às suas raízes e regressou a Setúbal. Esteve ligado ao Clubíssimo, um espaço da noite setubalense. Em 1997, decidiu abrir uma loja em nome próprio, no Bairro Salgado, no espaço da antiga cantina da polícia, com “peças mais arrojadas e à frente da sua época”.

O primeiro espaço público, que decorou foi o restaurante Sushilogia, onde fica atualmente a Pizza 44, na Praça Marquês de Pombal. A partir daí, seguiram-se muitos outros projetos em equipamentos municipais, como a Casa da Baía, Câmara Municipal de Setúbal, Galeria do Banco de Portugal, Moinho de Maré de Mourisca, Casa do Largo — Pousada da Juventude, Forte de São Filipe e Ecoparque do Outão

Dos restaurantes e cafés da cidade, o Na Pas de Quois, La Famiglia, Pastelaria Capri, Sem Horas, Feito ao Bife by Absurdo, Xtoria, Restaurante Miguel e a Pizzaria Mozzarella 1 são alguns exemplos. Encara as críticas às escolhas de cores e padrões com naturalidade e de forma positiva. “São as críticas, que me fazem evoluir e crescer. Mas sou eu o maior crítico do meu trabalho e tento superar-me sempre”, confessa o criativo.

Está a gerir, desde 2013, o atelier JM Beyond Interiores, na Rua Detrás da Guarda, junto à Casa da Cultura. O espaço, onde também trabalham arquitetos funciona como showroom. O atelier faz todo o tipo de trabalhos de decoração de interiores. Está aberto de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas. O atendimento ao cliente é por marcação, através dos números 265 553 329 ou 969 275 865.

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