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Já existem duas petições públicas para travar o projeto da Praça Rio em Setúbal

Em causa está a construção de uma estrutura para a realização de eventos ao ar livre na Praça do Bocage.
O assunto tem gerado polémica.

No dia 12 de janeiro, a Câmara Municipal de Setúbal anunciou que iria nascer uma nova estrutura para a realização de eventos ao ar livre, no antigo espaço do Café Central junto à Praça do Bocage. Segundo a nota enviada às redações, “a Praça Rio construída pela autarquia, num investimento de mais de 250 mil euros, será composta por quatro coberturas de madeira revestidas a zinco que assentam em pilares metálicos, num total de 400 metros quadrados”. 

Pouco tempo depois do comunicado da autarquia, a notícia começou a gerar grande polémica nas redes sociais, sobretudo pela escolha da localização para o projeto e pelo valor do investimento no atual contexto de pandemia, entre outros argumentos.

Em janeiro, foi lançada a petição pública “Travar o projeto da Praça Rio na sua localização prevista”, pela arquiteta setubalense Rita Vairinhos, dirigida ao presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Setúbal, André Martins, e à presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira. 

“A autarquia alega que a estrutura foi pensada, de forma a não interferir com a vertente estética e patrimonial da Praça de Bocage, onde existem vários edifícios de elevado valor. Porém, pelo vídeo de apresentação do projeto percebemos que não é isso que vai acontecer, uma vez que a justificação simplista de que a instalação a várias alturas permite não esconder as fachadas revela uma má leitura da zona envolvente”, pode ler-se na página da petição disponível online e que até agora conta com 349 assinaturas. 

Na opinião de Rita Vairinhos, “o projeto da Praça Rio poderia integrar-se perfeitamente e servir o seu propósito num outro ponto da cidade, mas não numa praça histórica, rodeada de edifícios que existem há mais tempo do que qualquer um de nós”. 

Outra das objeções apresentadas na petição questiona “a real necessidade de um investimento destes em tempos de pandemia”. Caso a autarquia decida ser prioritário criar a Praça Rio, os subscritores da petição sugerem, por exemplo, a escolha da zona da frente ribeirinha da cidade para a instalação do equipamento, já que segundo a autarquia, a cobertura da Praça Rio é inspirada na ondulação do rio Sado.

No final do texto são ainda apontadas duas soluções possíveis: cancelar o projeto e direcionar a verba investida para ajudas de emergência à economia e à cultura setubalenses, no âmbito do combate aos efeitos da pandemia de Covid-19; ou repensar o projeto e estudar a deslocalização da Praça Rio para um local, onde haja uma maior ligação entre o seu nome e a sua localização, e onde a arquitetura do equipamento não choque com a zona envolvente.

A segunda petição lançada recentemente chama-se “Travar o atentado patrimonial e urbanístico na Praça de Bocage” e sublinha o facto de “não ter sido pedido um parecer técnico legalmente elegível à Direção-Geral do Património Cultural”. Atualmente, o documento conta com 257 subscritores, o número suficiente para submeter a petição à Assembleia Municipal de Setúbal.

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