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“Histórias que as Paredes Contam”: os 5 novos murais da cidade que representam a liberdade

O projeto começou em setembro de 2023 e terminou em abril de 2024. Todos os trabalhos contaram com a participação da população.
As mensagens são importantes. (DR: Helena de Sousa Freitas)

Há cerca de 50 anos, Portugal vivia uma realidade cinzenta e sob o manto da ditadura de Salazar. Não se podia expressar uma opinião, viajar sem a autorização do marido, pedir o divórcio, sair à noite e até mesmo beber Coca-Cola.

Meio século depois, a realidade é outra e a verdade é que muitas pessoas viveram num mundo assim. Os que agora são pais, eram pequenos e têm poucas recordações. No entanto, os mais velhos são os únicos que mantêm vivas as lembranças de um passado que só querem esquecer. É por isso que continua a ser importante recordar a luta contínua — sim, porque é preciso garantir o direito à liberdade — para ter as necessidades básicas de poder ouvir, falar, partilhar e viver com a sua própria vontade.

Foi nesse âmbito que surgiu o projeto “Histórias que as Paredes Contam”, em setembro de 2023. Realizaram-se um total de cinco conversas, organizaram-se exposições de fotografia, preparou-se o lançamento de um álbum de histórias e imagens do muralismo, em Setúbal, bem como um documentário sobre o processo criativo deste conjunto de eventos. Além disto, e até 27 de abril, foram construídos cinco murais em diferentes pontos da cidade.

Todos eles têm por base a palavra “liberdade”, seja ela em torno do contexto da guerra, da igualdade de género, ao apelo da paz ou um alerta ao aumento do custo de vida e ao facto de ser possível voltar a um tempo de repressão. Na construção de todos os trabalhos, e mesmo com contratempos e imprevistos, juntaram-se centenas de pessoas, entre artistas mais ou menos reconhecidos, mulheres e interessados em espalhar esta mensagem. Este mês, as fotografias dos trabalhos estiveram expostas, inclusive, numa mostra na Sérvia.

Com chancela do Monte de Letras, o “Histórias que as Paredes Contam” deve o nome à tese de doutoramento que Helena de Sousa Freitas defendeu no ISCTE-IUL, em 2019, tendo como parceiros a Câmara Municipal de Setúbal, através do programa “Venham Mais Vinte e Cincos”, o Instituto Politécnico de Setúbal, a Associação dos Municípios da Região de Setúbal, juntas de freguesia do concelho, a União Setubalense e a Associação Cultural Festroia.

Carregue na galeria para conhecer os cinco novos murais da cidade.

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