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Green Trekker: “O problema da animação turística é que não há regulação do Turismo de Portugal”

Apesar de não estar impedida de trabalhar, João Sá Nogueira explica que a empresa não tem clientes por causa do confinamento.
As quebras de faturação da empresa já chegam aos 70 por cento.

A Green Trekker é uma das maiores empresas de animação turística do distrito de Setúbal. É conhecida pelas caminhadas que exploram os melhores trilhos do País, incluindo os da serra da Arrábida. Durante o ano, a agenda da Green Trekker estava sempre preenchida com eventos de um dia, de fim de semana e também expedições maiores, que esgotavam em poucas semanas.

No entanto, com a chegada da pandemia de Covid-19, a empresa viu-se forçada a abrandar as suas atividades, uma vez que os clientes ficaram obrigados a cumprir a medida do recolher obrigatório e, por isso, deixaram de participar nos passeios.

Praticamente um ano depois de o governo ter decretado o primeiro Estado de Emergência, a New in Setúbal falou com João Sá Nogueira, um dos responsáveis da Green Trekker sobre os impactos do confinamento no funcionamento da empresa.

Para João Sá Nogueira, o principal problema do setor é que não existe uma regulamentação do Turismo de Portugal para as empresas de animação turística. “O Turismo de Portugal nunca regulou o funcionamento das empresas de animação turística. Por isso, nós não estamos impedidos de trabalhar, ao contrário dos restaurantes e cabeleireiros, a questão é que os nossos clientes não podem vir às atividades por causa do dever de confinamento. Esta ausência de regulamento é muito prática para o estado, porque assim o governo não precisa de nos compensar, já que continuamos com atividade aberta”, conta à New in Setúbal, o empresário.

No período de desconfinamento, que começou em maio do ano passado, a Green Trekker realizou várias atividades, seguindo regras apertadas de higiene e segurança. Nessas atividades, a empresa, que tem o selo Clean & Safe do Turismo de Portugal, recomendou o uso de um kit de proteção individual composto por uma máscara e álcool gel, o cumprimento obrigatório do distanciamento físico de dois metros lado a lado e quatro metros em fila.

“Respeitámos sempre as recomendações das autoridades de saúde. Os grupos estavam distanciados, muitas das vezes com 40 minutos de diferença nos percursos, e as pessoas punham a máscara sempre que nos aproximávamos de povoações, mesmo que estivessem desertas”, explica o setubalense à NiS.  

Com o segundo confinamento, a empresa ficou totalmente parada e registou grandes quebras de faturação. “Em 2020, batemos recordes de faturação entre janeiro e fevereiro e agora estamos com 70 por cento de quebras de faturação e ainda não sabemos se este dinheiro terá de ser devolvido, uma vez que não temos indicação de quando vamos desconfinar”, sublinha João.

Os sócios gerentes da empresa estão em layoff, o que lhes permite continuar a receber o ordenado. No entanto, a situação da Green Trekker mantém-se complicada sobretudo pela incerteza das novas medidas.

“Estamos a fazer apenas um trabalho de reconhecimento dos locais e de recolha de fotografias, porque depois não iremos ter tempo para isso. Sabemos que esta é uma atividade com baixo risco de contágio. Neste momento, muitas pessoas já não estão a respeitar o confinamento, por isso, acho que o melhor era o governo permitir o regresso destas atividades de natureza de uma forma organizada e cumprindo todas as normas de segurança”, refere.

Por enquanto, a Green Trekker manteve os eventos da agenda previstos para os próximos meses, sendo que alguns deles foram remarcados por causa do novo confinamento. Nesse sentido, caso os participantes já inscritos não possam na nova data, a Green Trekker emite um voucher.

A Green Trekker nasceu há nove anos. A ideia surgiu pela mão de João Sá Nogueira, na altura a trabalhar como publicitário, e mais quatro amigos. Como todos gostavam de fazer caminhadas nos tempos livres, começaram a organizar alguns passeios com amigos.

Nessa altura, decidiram fundar uma empresa de animação turística. “Começámos com uma abordagem muito virada para o formato digital e apostámos tudo nas redes sociais especialmente no Facebook. Depois construímos um site e a empresa foi crescendo ao longo dos anos”, recorda.

Se ficou com vontade de fazer um passeio com a Green Trekker no desconfinamento, alguns dos trilhos mais famosos da região são a Serra do Risco, Alto do Formosinho, serra de S. Luís, fenda da Arrábida, praia do Ribeiro do Cavalo, entre outros.

João Sá Nogueira é um dos responsáveis da Green Trekker.

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