na cidade

Fomos conhecer a única olaria de Setúbal

A Olaria Nova, nos Quatro Caminhos, existe há 59 anos e está nas mãos da família Mateus há várias gerações.
O espaço é um autêntico museu da cidade.

Quem passa pela movimentada Rua António José Baptista, nos Quatro Caminhos, não imagina que naquela zona da cidade está uma das relíquias mais bem guardadas de Setúbal: a Olaria Nova. Apesar do nome, o espaço é centenário e ao entrarmos somos transportados para o ambiente das olarias antigas das aldeias históricas de Portugal, com o cheiro do barro acabadinho de moldar.

O negócio da olaria está nas mãos da família Mateus há gerações. O ofício começou com Joaquim Mateus, natural de Serpa conhecida no passado como “terra de oleiros e sapateiros”. Depois passou para o filho, Francisco Maria Mateus, falecido em setembro de 2018. Atualmente são os filhos Álvaro Mateus, 70 anos, Ana Maria Mateus, 59, Joaquim Mateus, 61 e Manuel Ferreira, 58, que se esforçam para dar continuidade ao legado deixado pelo pai.

Os três irmãos (Álvaro, Joaquim e Ana Maria) cresceram a ver como se faz a olaria e passavam as suas férias a ajudar o pai. Nos anos 90 não chegavam para as encomendas de louça de barro, vendida sobretudo no auge da Feira de Sant’Iago, quando ainda era na Avenida Luísa Todi.

Na altura, o que tinha mais saída eram os potes de pesca, os alcatruzes usados pelos pescadores para a apanha de polvos. Hoje, praticamente só se vendem as peças para restaurantes, feiras temáticas (medievais, gastronómicas, artesanato e empresariais) e algumas louças personalizadas. Por exemplo, uma tigela de barro (caldo verde) pode custar 1€ e uma peça maior como um tacho de caldeirada é a partir de 10€. Mas os preços variam de acordo com os tamanhos e tipo de trabalho. 

A produção é cem por cento manual feita só com a ajuda da roda de oleiro, um ritual quase em extinção em Portugal. Os primeiros passos começam por centrar o barro, furá-lo, alargar a peça e fazê-la crescer uniformemente. Depois de estar tudo com a mesma espessura há que que secá-la, colocá-la no forno a gás a 980 graus. Se tiver de ser decorada, a peça tem de ser vidrada (processo feito só depois da cozedura) e depois volta ao forno.

Os irmãos Álvaro, Ana Maria e Joaquim Mateus são os três rostos da Olaria Nova.

Hoje o espaço é procurado pelas pessoas da região mais para ver os irmãos a moldar o barro. “O público vem para conhecer a nossa olaria e o trabalho ao estilo de um museu”, conta à New in Setúbal, Joaquim Mateus. No futuro, o objetivo dos irmãos é encontrar um espaço físico no centro da cidade, onde possam organizar workshops e oficinas de olaria para ensinar as técnicas básicas. Em 2014, a Câmara Municipal de Setúbal atribuiu a medalha de honra da cidade pela persistência da família em continuar o trabalho das gerações anteriores.

tags: 4 Caminhos, família Mateus, feiras, louças de barro, Olaria Nova

localização, contactos e horários

morada
  • Olaria Nova [ver mapa]
    Rua António José Baptista, 34
    2910-451 Setúbal
site e redes sociais
horários
  • Segunda a sexta
  • Das: 09:00
  • Às: 18:00