na cidade

Foi revelado o rosto de uma das freiras que viveu no Convento de Jesus no século XVIII

O projeto está inserido nas obras de reabilitação do equipamento nacional. É um retrato aproximado, mas muito real.
As obras estão quase concluídas.

Seja nas aulas ou num documentário, quando ouvimos falar de personalidades que viveram em outras épocas, temos a tendência de imaginar como eram os cenários onde decorreram os episódios históricos, sem nunca conseguirmos ter a certeza das características reais. No entanto, existem atualmente mecanismos que nos permitem chegar quase à figura exata.

É o caso do mais recente projeto do Convento de Jesus, que a partir do crânio de um esqueleto identificado na intervenção antropológica realizada no monumento nacional, conseguiu chegar à aproximação facial de uma das freiras que viveu no local, no século XVIII.

“A exibição do vídeo do projeto ‘Aproximação Facial de uma Freira do Convento de Jesus’ vai ser um dos elementos a integrar a exposição permanente do museu, que está em fase final de preparação”, adiantou a técnica municipal Maria João Cândido, que há cerca de 20 anos desenvolve o projeto “Vida e Morte das Freiras Clarissas do Convento de Jesus”.

Para um trabalho conjunto, o Município de Setúbal convidou o ilustrador científico Filipe Franco e a antropóloga Nathalie Antunes Ferreira, que “analisou os ossos retirados das sepulturas” durante as escavações arqueológicas na ala nascente do convento e “através do cruzamento com as informações constantes das crónicas escritas na época”, identificaram-se os corpos de 13 freiras que ali moraram nos séculos XVIII e XIX.

“Foi possível perceber que a maioria dos esqueletos pertencia a mulheres idosas, que sofriam de diversas patologias, essencialmente, cáries, perda de dentes e osteoartroses”, disse a antropóloga. O esqueleto da madre soror Michaela Archangela do Ceo (1703-1779) foi escolhido para a execução da aproximação facial, desenvolvida através de modelação digital por Filipe Franco.

Madre soror Michaela Archangela do Ceo.

Pedro Pina, vereador com o pelouro da Cultura, revelou que “nada do que foi feito é resultado de liberdade artística”. Ao contrário, toda a iniciativa foi feita “a partir do substrato ósseo e contou com os contributos de diversas especialidades, como história, arqueologia, antropologia e medicina”.

O trabalho de Filipe Franco começou com a análise dos dados disponibilizados por Nathalie Antunes Ferreira, como o perfil biológico da freira. Seguiu-se uma análise do crânio para “registar todas as deformidades, assimetrias e eventuais traumas passíveis de condicionar a aparência”. Após a medição craniana, sempre com recurso a métodos científicos, Filipe Franco fez à digitalização tridimensional do crânio, a qual serviu de base para a elaboração da aproximação facial.

Depois, foi feita a “aplicação de marcadores de profundidade dos tecidos moles da musculatura da cabeça para garantir o rigor necessário à correta modelação do contorno da face” e, por fim, a aproximação tridimensional do rosto da madre soror Michaela Archangela do Ceo. Este não é “um retrato absolutamente fiel”, mas sim “a uma fisionomia muito próxima” do indivíduo analisado”.

A história e as etapas que conduzem ao resultado deste projeto, que revela o possível rosto de uma freira que viveu no convento no século XVIII, são relatadas num vídeo a integrar na exposição permanente do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, que será inaugurada no dia 15 de setembro, Dia de Bocage e da Cidade.

Carregue na galeria para conhecer as principais salas do monumento setubalense. 

MAIS HISTÓRIAS DE SETÚBAL

AGENDA