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Castelo de Palmela: descobertas arqueológicas podem mudar a interpretação da história

Estão a ser recolhidas informações que abrem novas linhas de investigação e estudo para as próximas décadas.
A conclusão dos trabalhos está prevista para este ano. Foto: CMP.

As encostas do Castelo de Palmela estão a sofrer obras de sustentação para evitar derrocadas no futuro. O objetivo da intervenção estrutural é valorizar o património natural e cultural da área envolvente, sendo que a conclusão dos trabalhos está prevista para este ano.

Mas a grande novidade é que ao longo da operação têm sido feitas várias escavações arqueológicas junto à antiga piscina, que podem alterar a história do Castelo e os registos da ocupação humana na zona. Segundo o que a New in Setúbal conseguiu apurar junto da Câmara Municipal de Palmela, “os trabalhos arqueológicos de acompanhamento desta operação têm permitido descobrir um espólio muito rico e um conjunto de novas informações, que alteram o que se sabia sobre a história do castelo, abrindo novas linhas de investigação e estudo para as próximas décadas”.

A autarquia palmelense sublinha ainda que “a equipa de arqueologia está muito entusiasmada e continua a escavar e a recolher espólio, que será apresentado em detalhe depois de uma cuidada análise científica”. Neste momento, a obra está a decorrer em três frentes distintas: na encosta virada a sul sobre o antigo refeitório do convento e atual restaurante da Pousada de Palmela, na zona onde estava instalada a antiga piscina e na encosta nascente, junto ao miradouro.

O objetivo da obra é sustentar o morro do castelo e evitar derrocadas. Foto: CMP.

À New in Setúbal, Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de Palmela descreve a intervenção em curso “como uma engenhosa e complexa obra que garante a estabilidade do morro de Palmela e a preservação da ‘jóia da Coroa’ do nosso património — o Castelo de Palmela”.

O investimento nos trabalhos é superior a três milhões de euros financiados em 85% pelo POSEUR (Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), no quadro do Portugal 2020. Os restantes 15% serão assegurados pela DGTF — Direção Geral do Tesouro e Finanças, proprietária do castelo. O município de Palmela garante os diversos projetos e o acompanhamento da obra.

O Castelo de Palmela é também um dos monumentos que faz parte dos projetos previstos e em execução pela marca Território Arrábida — Património Partilhado apresentada no final de maio. O projeto intermunicipal de cooperação entre os municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra que partilham o recurso natural da Serra da Arrábida traduz-se num conjunto de ações concretas nas áreas de valorização do património cultural e turístico, acessibilidades, mobilidade suave, saúde, bem-estar e inclusão social. Todos eles são co-financiados pela União Europeia, no âmbito do Portugal 2020.

A candidatura CAFA — “Castelos e Fortalezas da Arrábida — Castelo de Palmela” é uma das ações previstas no programa PRARRÁBIDA — Plano de conservação, valorização e promoção do património histórico, cultural e natural da Arrábida. O concurso a decorrer vai permitir a construção de um sistema de passadiços e outras estruturas para tornar o castelo acessível a todos, independentemente da sua condição física ou de mobilidade.

Quando estiver concluída, a intervenção irá contribuir para uma ligação do monumento, da Igreja de Santiago à Praça de Armas, onde serão promovidos alguns eventos numa lógica de turismo inclusivo. A ação CAFA está inscrita no Pacto de Desenvolvimento de Coesão Territorial da Área Metropolitana de Lisboa (PDCT-AML), tendo sido candidatada ao Programa Operacional Regional Lisboa 2020.

tags: Câmara Municipal de Palmela, Castelo de Palmela, escavações, obras de sustenção, Território Arrábida - Património Partilhado