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Casa na Quinta: o retiro perfeito para se desconectar em plena Serra da Arrábida

O casal Ana e Vasco lançou o novo projeto em março de 2024. Além de ser um alojamento local, realiza workshops especiais.
É um pequeno refúgio.

Tudo começou na Fazendinha. Ana e Vasco conheceram-se em 2013, no café T, em Azeitão, e começaram a namorar passado uma semana. Foram morar juntos, primeiro para o Montijo e depois, em 2014, mudaram-se para a quinta, na Serra da Arrábida, onde Vasco cresceu com os pais. E foi precisamente aí que o amor pela natureza aumentou, ao ponto de desistirem das carreiras — em áreas totalmente diferentes — para se dedicaram a um novo projeto.

Essa quinta, com cerca de 11 hectares, tinha várias casas espalhadas. Além do local onde Ana e Vasco moraram (totalmente reconstruído por eles), remodelaram outras duas casas que usaram para alojamento local. Mais tarde, compraram outro espaço, mesmo no meio da Serra da Arrábida, em Azeitão, e começaram, em maio de 2024, o projeto da Casa na Quinta, um refúgio perfeito para quem se quer desconectar e descansar, no meio da natureza.

Ana Costa Carou, 43 anos, nasceu em Setúbal, mas viveu a vida toda em Azeitão. Licenciada em Marketing e Comunicação, pelo IADE, terminou o curso em 2005. Fez mais um ano de estudos e, assim, formou-se também em Publicidade. Trabalhou numa agência de comunicação, mas, depois de ter feito um projeto de marca e identidade para um ginásio que ia abrir na Quinta do Conde, o Sport City, foi convidada a trabalhar com eles.

Entrou na área do fitness, fez várias formações e começou a dar apoio na gestão e consultoria de várias marcas, como o gurpo Solinca. 

Por outro lado, Vasco Carou, de 35 anos, nasceu em Lisboa, mas veio morar para Setúbal quando ainda era miúdo. Formou-se na Universidade Católica, em 2010, e foi técnico de laboratório de ambiente. Trabalhou durante cinco anos na empresa Enviro e decidiu tirar também o curso de Engenharia e Proteção Civil. Atualmente, tem três cadeiras e a tese por concluir.

Diz que assim que viu Ana, foi “amor à primeira vista”. Começaram a namorar e mudaram-se para a quinta onde Vasco morou toda a vida, a Fazendinha, em agosto de 2014. Primeiro, ficaram numa casa mais pequena, mas depois chegaram os filhos, o Martim, de oito anos, e a Maria, de seis anos, por isso tiveram de arranjar uma segunda habitação, maior e mais confortável.

Nessa altura, Vasco começou a trabalhar na área da construção civil, mais precisamente na montagem de piscinas. Os pais separaram-se em 2016 e a mãe ficou na quinta, ainda que a tenha colocado à venda. Nessa altura, começaram a pensar em formas de rentabilizar o espaço, que estava a ter problemas na manutenção.

Reconstruiram uma terceira casa, que era um barracão, e assim surgiu a ideia do alojamento local, com duas casas disponíveis para alugar.

“Na verdade, foi tudo natural e espontâneo, sempre recebemos amigos em casa e somos pessoas fáceis de conviver de criar laços. Em 2019 começamos com tudo mais a sério e foi incrível”, conta Ana à NiS.

O negócio correu, desde logo, “muito bem”, com os verões todos ocupados e até uma família, de quem ficaram muitos amigos, quis ficar mês de agosto inteiro. “Sempre quisemos um projeto muito familiar. A mensagem que temos inerente ao projeto e que transportamos para este novo espaço foi de ‘momentos inesquecíveis entre amigos que se tornam família’. Até porque foi isso que aconteceu”, acrescenta.

Os hóspedes achavam piada aos miúdos, que brincavam e interagiam, e o negócio estava a ser um sucesso. Pelo menos foi assim até ao dia em que chegou a Covid-19 a Portugal. Para a família — e para outras duas que pediram para ficar com eles —, não foi um problema. Viveram o período de confinamento ao ar livre e no meio da natureza e da serra, numa comunidade com 12 pessoas. Quando voltámos à normalidade, a quinta foi vendida.

Viver na cidade não era um cenário que queriam. Por isso, em cinco meses, compraram o local onde vivem agora: uma quinta mesmo no meio da Serra da Arrábida, em Azeitão, com cerca de quatro hectares. Ficaram durante dois anos num apartamento em Setúbal, enquanto remodelavam o espaço. Dedicaram-se 100 por cento ao projeto, ainda que Vasco trabalhe com desmatação e manutenção de outras quintas nos arredores.

Ainda com a casa principal em remodelação, surgiu a ideia de criar uma segunda habitação, para alugar. Desta forma nasceu o projeto da Casa na Quinta, um local isolado, rodeado de vegetação, perfeito para um retiro em família. Foi Vasco, em conjunto com o amigo Tiago, que construíram a casa em apenas três meses.

“Inicialmente, era para ser só uma sala, mas acabámos por transformar num pequeno apartamento, através dos contatos que já tínhamos da Fazendinha”, explica Ana.

A nossa experiência de uma noite na Casa na Quinta

A NiS foi convidada para visitar o spot durante uma noite. O caminho é o mesmo que vai dar ao Parque de Campismo dos Picheleiros — uma estrada estreita, mas toda em alcatrão. O problema foi o acesso para a quinta. O percurso é feito num caminho de terra batida — que não é da responsabilidade dos proprietários — e no qual tinham sido colocadas pedras recentemente. O carro derrapou várias vezes, com muitos buracos fundos. 

Quando chegámos, fomos prontamente recebidos por Ana, que nos indicou o caminho para o sítio onde iríamos passar a noite. É, de facto, um spot isolado, no meio da Arrábida, rodeada de vegetação. A casa é um pequeno cantinho, todo decorado e com as comodidades necessárias para passar um bom momento, até para quem gosta de cozinhar. Não precisa de levar utensílios, nem produtos de limpeza.

A Casa na Quinta é um local onde, além de poder fazer uma escapadinha, decorrem workshops, círculos e até festas de aniversário. Por isso, há uma zona de redes onde pode relaxar, mas também um trampolim e um espaço que simula um campo de futebol. No lado de fora, existem bancos onde pode sentar-se e aproveitar ao máximo a experiência, no silêncio da natureza. Foi o que fizemos. 

Para o interior da casa, há duas portas de acesso, uma pequena, lateral, e outra principal, que ocupa quase toda a parte frontal da habitação. Nenhuma delas tem cortinas nem cobertura para o exterior. Ou seja, ainda que o local seja privado, consegue ver tudo o que se passa lá fora e vice-versa.

Podemos afirmar que, apesar de ser uma experiência incrível de reconexão e perfeita para um momento sossegado, a dois, a noite é só para os mais corajosos. Antes de chegarmos aí, não podemos deixar de relembrar que toda a zona tem centenas de pirilampos. Foi um episódio digno de um filme da Disney e deixou-nos, de facto, completamente encantados.

Se for despreocupado, e conseguir dormir facilmente, não vai ter problemas. Se não, prepare-se para ser tentado a espreitar constantemente para o exterior e a ver (no nosso caso, estava tudo iluminado porque era noite de lua cheia) e ouvir barulhos de animais a correr mesmo ao lado de casa, sem saber ao certo o que está a acontecer atrás das paredes.

Em resumo, vai para um sítio muito relaxante, mas também muito isolado. Só há dois contactos naquele local: o seu com a natureza. E tem de abraçar a experiência nesse sentido. Não vá com medo, nem se deixe intimidar pelo desconhecido. 

O preço por noite, em época baixa, é de 90€ e, em época alta, 120€. Pode fazer as marcações através do email reservas.casanaquinta@nullgmail.com.

Carregue na galeria para conhecer melhor o espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Vale de Picheleiros S. Caetano CCI 103 Serra da Arrábida, 346
    2925-000 Azeitão
ESTILO
glamping
PREÇO MÉDIO
entre 101€ e 150€
AMBIENTE
serra

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