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Bairro do Liceu ganha novo mural inspirado na liberdade. Participaram mais de 50 jovens

O trabalho, inserido no projeto “Histórias que as Paredes Contam”, foi um esforço conjunto da comunidade e de dois jovens artistas.
É o quarto mural da cidade dedicado ao tema.

Os bisavós e os avós são os únicos capazes de relatar as histórias mais pessoais do 25 de Abril aos netos e bisnetos. Afinal, até os pais eram miúdos na altura. Apesar dessa partilha e das várias fontes documentais que existem do período do Estado Novo e dos tempos após a Revolução do Cravos, é impossível descrever o que se sentiu nos momentos mais decisivos na conquista da liberdade.

Por isso mesmo, é importante que existam ações, atualmente, que permitam relembrar a importância da luta pela democracia. Não há viagens no tempo, mas o futuro é decidido, em grande parte, por nós. Assim como 50 jovens, até aos 35 anos, decidiram participar na pintura do quarto mural da cidade, inserido no projeto “Histórias que as Paredes Contam”.

No sábado, 17 de abril, que mais de 50 jovens se reuniram no Bairro do Liceu para pintar o penúltimo trabalho da iniciativa. Com coordenação estética repartida por Mo, estudante de artes portuguesa de 21 anos, e Young Nuno, artista plástico guineense de 33 anos, são nomes com a cidade de Setúbal em comum no percurso. A obra partiu de um duplo esboço e, no local, ampliou-se ao sabor da criatividade infantil e juvenil.

Na parte do mural coordenada por Mo, destaca-se a frase “Fazes que fazes ou pões sementes a crescer”, frase da canção “Grão da Mesma Mó”, de Sérgio Godinho (letra) e David Fonseca (música), enquanto Young Nuno optou por recordar o líder revolucionário africano Amílcar Cabral e o capitão Salgueiro Maia, reproduzindo dois adereços evocativos destas duas figuras.

“Não podemos ficar parados a ver a extrema-direita ganhar terreno. Temos de semear os cravos e colher a revolução”, diz Mo, que se afirma “contra o comodismo” e interpreta a frase de Sérgio Godinho como “um apelo à ação e a fazer cumprir Abril”.

Vista geral do novo mural.

Young Nuno reconhece a importância da associação a esta causa, relacionada com o 25 de Abril, uma vez que esse acontecimento deu “a democracia a Portugal e a independência à Guiné-Bissau”. “É impossível falar da liberdade sem falar do 25 de Abril”, pelo que “celebrar o 25 de Abril é celebrar a liberdade”, conclui o artista.

O projeto “Histórias que as Paredes Contam — 50 anos de Muralismo em Setúbal”, que desde setembro de 2023 desenvolve na cidade um conjunto de eventos no âmbito dos 50 anos da Revolução dos Cravos, já promoveu também cinco conversas públicas e uma exposição sobre muralismo, estando prevista a pintura de um quinto e último mural, uma segunda mostra fotográfica e a edição de um álbum de imagens e histórias sobre a prática muralística.

Com chancela do Monte de Letras e incluído no Programa das Comemorações Nacionais dos 50 anos do 25 de Abril, o “Histórias que as Paredes Contam” é coordenado por Helena de Sousa Freitas e deve o nome à tese de doutoramento que esta defendeu no ISCTE-IUL em 2019.

Conta com parceria da Câmara Municipal de Setúbal, através do programa “Venham Mais Vinte e Cincos”, do Instituto Politécnico de Setúbal, da Associação dos Municípios da Região de Setúbal, juntas de freguesia do concelho, a União Setubalense e a Associação Cultural Festroia. 

Recorde-se que o terceiro mural foi pintado no Bairro 2 de Abril. Carregue na galeria para ver imagens, cedidas por Helena de Sousa Freitas, de alguns murais pintados em Setúbal entre os anos 90 e 2000.

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