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Álvaro Santos: “As novas medidas do governo mataram o setor da restauração e hotelaria”

A New in Setúbal falou com o chef sobre o impactos da pandemia de Covid-19 no setor da restauração e hotelaria.
Álvaro Santos é o responsável pela Leitaria do Montalvão.

A Leitaria do Montalvão abriu em novembro do ano passado com um conceito renovado pela mão de Álvaro Santos. O objetivo do chef de cozinha, que cresceu no bairro do Montalvão, foi recuperar as tradições do espaço fundado em 1968, atraindo os clientes antigos e outros novos.

O primeiro Estado de Emergência decretado pelo governo no dia 18 de março deixou a Leitaria numa situação difícil e a precisar de reinventar-se. “Tínhamos poucos meses de ‘casa’, mas as coisas estavam a correr bem e acima de tudo estávamos a crescer”, começa por contar à New in Setúbal, Álvaro Santos.

O espaço foi dos primeiros a fecharem e a optarem pelo regime de take away que, segundo o cozinheiro, não passa de uma “ilusão”.

“As pessoas têm de perceber que onde se ganha dinheiro num restaurante não é no prato em si, mas em tudo o que envolve a comida, como por exemplo as entradas, sobremesas e bebidas. Ora com o take away não temos nada disso. No meu caso, o take away apenas serviu para manter a minha sanidade mental e não estar tanto tempo confinado em casa”, confessa à NiS.

Com a faturação a não chegar aos 20 por cento, Álvaro Santos considera que as novas restrições do recolher obrigatório vão “matar” o que resta do setor da restauração e hotelaria. “Dizer para fecharmos às 13 horas aos fins de semana é o mesmo que dizer para não abrirmos. Se já nos estavam a matar, agora estão a enterrar-nos vivos. Os pequenos-almoços eram a nossa grande fonte de receita e no primeiro fim de semana do recolher obrigatório vendi dois brunches no domingo”, desaba.

Para Álvaro Santos, uma das grandes razões da crise instalada no setor é “a campanha de medo e desconfiança criada pelo governo e comunicação social”, que está a influenciar as pessoas a deixarem de ir aos restaurantes.

“É preciso acabar com a publicidade enganosa de que os restaurantes são culpados da propagação da Covid-19. Ir ao restaurante é seguro, porque estas normas de higiene já existiam antes da pandemia e não são novidade para nós. Por isso, acho que se deve fazer uma campanha séria acompanhada de um estudo aprofundado sobre os riscos efetivos da propagação do novo coronavírus nos restaurantes”, sublinha.

Nesta fase, o chef aponta algumas medidas para ajudar o setor, como subsídios atribuídos pelo governo, mas também uma intervenção rápida das autarquias. “As Câmaras Municipais devem ter o seu papel e pensar no que é melhor para a sua cidade. Por exemplo negociar com os senhorios o valor do IMI já era um caminho”, sugere.

Sobre a manifestação dos trabalhadores da restauração, hotelaria e comércio, que decorreu no dia 14 de novembro, na Praça do Bocage, o chef faz um “balanço muito positivo” e considera que foi a primeira vez que os responsáveis pela restauração e estabelecimentos noturnos se uniram publicaram.

Ainda assim, Álvaro Santos reforça que é preciso mais. “Já provámos que juntos temos muito peso. Por isso, cabe a cada um fazer o seu papel”, conclui. 

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