Há cada vez mais noivos que não imaginam viver um dos dias mais importantes sem os seus animais de estimação por perto. O problema é que, entre a emoção do momento, a logística, os horários, a cerimónia, os convidados e a festa, ter um animal presente num casamento pode deixar de ser romântico e passar a ser mais uma fonte de ansiedade.
Foi precisamente entre esse desejo e a dificuldade de o concretizar que nasceu uma das novidades da SeePet, marca criada em Setúbal e que já está presente de norte a sul do País. O novo serviço chama-se Wedding Pet Care e foi pensado para garantir que os animais podem participar no casamento de forma controlada, segura e personalizada.
A empresa recolhe o animal de estimação em casa, faz um programa prévio de adaptação com o cuidador, acompanha-o durante o evento e volta a entregá-lo no domicílio, sem que os noivos tenham de se preocupar com nada.
No entanto, esta não é a única novidade da SeePet. A empresa setubalense, que começou com Pedro Favinha e duas amigas e que hoje conta com cerca de 120 pet sitters em Portugal, prepara-se para lançar, em maio, a SeeVet, um novo serviço de veterinário ao domicílio no distrito de Setúbal.
Pelo caminho, foi consolidando uma rede nacional de serviços que vai muito além do petsitting tradicional e que inclui passeios, idas ao veterinário, farm sitting, acompanhamento em hotéis pet friendly e até uma formação própria para quem quer entrar na área.
Um serviço que nasceu de uma pergunta simples
A ideia do Wedding Pet Care nasceu de uma necessidade concreta do mercado. “Tivemos vários clientes a perguntar se era possível estarmos presentes nos seus casamentos”, explica Pedro Favinha. O fundador conta que vários diziam que adoravam o serviço da SeePet e que eram “os únicos” em quem confiavam para estarem presentes com os animais no dia do casamento.
A partir daí, a equipa percebeu que havia ali bastante potencial. Depois de investigar o conceito, descobriu que nos Estados Unidos este tipo de serviço já era comum e concluiu que tinha as condições para o trazer para Portugal de forma pioneira.
Na prática, o serviço foi desenhado para retirar peso de cima dos ombros dos noivos. A presença do animal pode assumir várias formas. Pode ser o famoso “menino das alianças”, pode aparecer apenas à saída da cerimónia religiosa, pode estar presente numa quinta para a sessão fotográfica ou simplesmente participar em momentos específicos definidos pelo casal. O importante é que tudo seja organizado, pensado à medida e acompanhado por profissionais durante todo o processo.
Pedro explica que o objetivo nunca foi deixar o animal “largado” no evento, nem transformá-lo num adereço sem preparação. Pelo contrário. “O animal vai estar presente no dia do casamento, mas de forma controlada e personalizada”. E esse controlo começa muito antes do grande dia.
Plano de adaptação para garantir que tudo corre bem
Uma das componentes mais interessantes do novo serviço está no facto de não se limitar ao transporte do animal até ao local do casamento. A SeePet criou um pacote de adaptação para garantir que o cão ou gato não estranha a pessoa que o vai acompanhar e que chega ao evento mais calmo, seguro e recetivo.
Esse programa começa cerca de duas semanas antes da data do casamento. O pet sitter responsável passa a visitar o animal, cria uma relação com ele e acompanha-o nas rotinas. “Organizamos passeios, vamos dar comida e água, de forma a interagir e brincar com o animal”, explica Pedro. A ideia é que, quando chega o dia do casamento, este já conheça quem o vai guiar e não esteja a lidar com um estranho num contexto cheio de estímulos, pessoas e confusão.
No próprio dia, a equipa faz a recolha do animal em casa e pode até ajudar a “gastar energia” antes do evento, para reduzir níveis de ansiedade. Depois, leva-o até ao local combinado, acompanha-o ao longo de todo o casamento e, quando o casal entender que a presença do animal já cumpriu o seu papel, volta a recolhê-lo e a entregá-lo em segurança no domicílio.
O acompanhamento pode ainda prolongar-se para lá da cerimónia e da festa. Há casais que pedem pet sitting por hora após o casamento, quer em casa, quer num hotel, Airbnb ou unidade turística. Pedro explica que esse prolongamento permite aos noivos aproveitar o resto do dia sem qualquer preocupação logística.
Toda a informação está disponível no site da marca, onde existe uma página específica para Wedding Pet Care e onde os interessados podem preencher um formulário. A partir daí, a equipa faz uma reunião, geralmente por Zoom, para perceber o que o casal pretende, quais os requisitos do animal e que tipo de presença querem integrar no casamento. Os preços começam nos 200€ e o serviço já soma dezenas de reservas entre este ano e o próximo.
De Setúbal para o País inteiro — e também com veterinário ao domicílio
Se hoje a SeePet consegue lançar um serviço deste tipo é porque o projeto deixou há muito de ser apenas uma boa ideia entre amigos. O projeto nasceu em Setúbal, expandiu-se pela região e acabou por se tornar, nas palavras do fundador, “a única empresa de pet sitting em Portugal” com uma estrutura verdadeiramente nacional, com processos de seleção, supervisão, apoio jurídico e acompanhamento permanente no terreno.
A próxima grande etapa do projeto chama-se SeeVet e chega já em maio. O novo serviço será focado em veterinário ao domicílio e arranca numa primeira fase no distrito de Setúbal. A expansão para outras zonas irá depender da adesão do público e dos clientes, mas o plano já está desenhado.
Depois de consolidar a resposta na área do pet sitting, a marca quer passar a responder a uma necessidade clínica, com a mesma lógica de proximidade, confiança e deslocação ao terreno.
Ao mesmo tempo, a empresa tem vindo a diversificar os serviços disponíveis. No site encontram-se várias categorias. No pet sitting, existem visitas ao domicílio com duração de 45 ou 60 minutos, pet sitting por hora e pernoitas, administração de medicação, pet care para casamentos e prestação de serviços a unidades hoteleiras pet friendly.
Na área dos passeios, há dog walking padrão com recolha ao domicílio a partir de 45 minutos, pacotes mensais de passeios pré-agendados e passeios em grupo, com recolha e percurso definido.
A marca oferece ainda acompanhamento ao veterinário, pensado para quem não consegue levar o animal a consultas, bem como farm sitting, um serviço dirigido a animais de quinta. Esta última área mostra bem até que ponto o conceito inicial da empresa foi crescendo para lá do universo clássico dos cães e gatos.
Como a própria marca explica, presta cuidados a animais “de duas ou quatro patas, barbatanas ou asas”, uma filosofia coerente com o foco assumido desde o início em todos os animais de estimação, não apenas nos mais comuns.
Outro passo importante foi o lançamento de um curso próprio de pet sitter, que serve como porta de entrada para quem quer integrar a rede da marca. O valor base é de 399,99€, embora a empresa costume lançar campanhas promocionais ao longo do ano.
Mais do que formar pessoas, este curso faz parte do processo de replicação do modelo da SeePet em novas zonas do País, garantindo que quem entra conhece os princípios, os procedimentos e o nível de responsabilidade exigido.
Tudo começou com um jovem de 23 anos que não quis improvisar
A história da SeePet começa com um problema muito simples e comum: ir de férias sem saber com quem deixar o cão. Foi essa necessidade que levou Pedro Favinha a pensar no projeto. Na altura, não queria pedir favores a vizinhos, amigos ou familiares. Queria uma solução profissional, previsível e segura. O cão chamava-se Max e foi a partir dele que tudo começou.
Pedro tinha 23 anos quando lançou o projeto. Decidiu dar-lhe o nome de SeePet por uma razão simples: “See” de ir ver e “pet” de animal. Desde o início, chamou duas amigas para o ajudar, não por acaso, mas porque acreditava que o pet sitting “não se faz sozinho”.
Ainda hoje, a lógica da empresa assenta nesse princípio. Quem presta este tipo de serviço não está apenas a ir passear um animal, está a entrar em casas, a lidar com chaves, rotinas, medicação, comportamentos e uma carga de responsabilidade que exige estrutura e capacidade de resposta caso algo corra mal.
Foi também por isso que a marca cresceu sempre com uma preocupação forte com confiança, legalidade e substituição rápida em caso de necessidade. A empresa funciona 365 dias por ano, tem processos de seleção rigorosos, pede registo criminal, trabalha com contratos de prestação de serviços, possui seguro de responsabilidade civil e acompanha constantemente quem está no terreno. Como explica Pedro, “não há ninguém no terreno que não esteja a ser acompanhado e supervisionado por nós”.
A expansão foi acontecendo por fases. O projeto começou em Setúbal e Palmela, fez o primeiro serviço no Pinhal Novo, cresceu depois para Azeitão e Sesimbra e, ao fim de poucos meses, já estava em Almada, Barreiro, Montijo e Alcochete.
Um ano depois, chegou a Lisboa e, a partir daí, ganhou escala suficiente para avançar para o Porto, Aveiro, Coimbra e Faro. Hoje, a SeePet está presente no distrito de Setúbal, em concelhos como Setúbal, Palmela, Pinhal Novo, Montijo, Alcochete, Azeitão, Sesimbra, Barreiro, Seixal e Almada, bem como em várias cidades dos distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra e Faro.
A sede mantém-se na região, mais concretamente em Azeitão, nas instalações da José Maria da Fonseca, o que mostra a vontade clara de manter a marca ligada às origens.
Pedro não esconde que empreender em Portugal sendo tão novo foi duro. Admite que já pensou várias vezes em desistir, mas diz que a motivação vem da confiança dos clientes, das repetições de serviço e do facto de, ao longo de cinco anos, nunca terem deixado um problema por resolver. É essa base que agora lhes dá segurança para continuar a crescer, lançar a SeeVet e até preparar a próxima meta: entrar em Espanha entre junho e julho.
No fundo, a SeePet nasceu de uma ausência e foi crescendo a preencher falhas muito concretas na vida de quem tem animais. Primeiro nas férias. Depois no dia a dia. Agora também nos casamentos. E, em breve, até nas consultas veterinárias feitas à porta de casa.
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