fora de casa

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“Não vale a pena discutir, o Viso é o melhor bairro da cidade porque é um paraíso”

O jornalista da NiS defende com todas as suas forças o bairro que o viu crescer e apresenta bons argumentos para prová-lo.

Sou do Viso e tenho muito orgulho em ser do melhor bairro de Setúbal. Mudei-me para a Avenida São Francisco Xavier, em 2003, e tenho acompanhado as mudanças e o progresso do bairro, tal como o bairro tem acompanhado a minha evolução enquanto ser humano. Anteriormente, vivi em Vila Nogueira de Azeitão e em Santo Ovídeo mas, sem sombra de dúvida, que me considero um “visigodo”. Posso não ter a característica proeminente de carregar nos “erres”, mas a minha maneira de falar e a pessoa que sou hoje deve-se, em grande parte, às experiências que tive neste bairro.

Andei na Escola Básica do Viso, onde conheci boas pessoas, sendo que a grande maioria ainda faz parte do meu círculo de amigos. Foi também nesta instituição que conheci a minha namorada, em 2007, e posteriormente na Escola Secundária Lima de Freitas, começámos a nossa relação, nove anos depois de nos termos cruzado.

O Viso pode não ter monumentos ou parques, como outros bairros têm, mas tem autenticidade, tenacidade e muito boa disposição. É uma zona da cidade, em que os residentes pertencem à classe trabalhadora e têm raízes humildes, mas que não se deixam ir abaixo com as adversidades da vida.

Nós temos provavelmente a melhor pastelaria da cidade, a Confeitaria d’Arrábida, que tem dos bolos mais incríveis que já comi, e nem sequer sou fã de bolos, mas a equipa deles confeciona um bolo brigadeiro divinal. Temos também as melhores vistas panorâmicas sobre a cidade, em que vemos imensidão da Península de Setúbal e a de Tróia.

Para quem não sabe, a rua principal do bairro é a Rua Batalha do Viso, onde fica a escola primária que frequentei. Lembro-me perfeitamente de nos ensinarem no terceiro ano que a rua da escola tinha aquele nome porque ocorreu ali, naquela zona, a famosa Batalha do Alto Viso, conhecida como Patuleia.

Este confronto entre as forças de D. Maria II e D. Fernando II, comandadas pelo 1.º Conde de Vinhais, contra a Junta Insurrecional liderada pelo 1.º Visconde de Sá da Bandeira, deu-se a 1 de maio de 1847. Para muitos leitores, este facto pode ser desinteressante, mas para o miúdo de nove anos que eu era foi fascinante, porque deu-me a sensação de estar conectado a um local com relevância histórica, não só na cidade de Setúbal, como também no nosso País.

Acabo esta crónica, simplesmente com esta expressão típica que explica o nosso bairro: “o Viso é o paraíso”.

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