fora de casa

fora de casa

Favela Café Cultural vai fechar portas, mas a viagem está só a começar

Apesar de ser um adeus ao espaço, com direito a festas de despedida, o projeto prepara-se para lançar experiências pelo mundo.

Ao longo dos últimos anos, o espaço da Travessa das Lobas tornou-se muito mais do que um café: foi palco de tertúlias, jantares temáticos, concertos intimistas, workshops e conversas improváveis. Mas, como explica Rodrigo Baena, o fundador do projeto, “o Favela não vai fechar, vai crescer”.

A decisão de abandonar o espaço físico, já no dia de 30 de agosto, surgiu de forma orgânica, à medida que o próprio projeto se expandia além das suas paredes.

“O tempo que gastava com a gestão do dia a dia do café deixava de lado a minha parte mais forte, ou seja, a produção cultural. Com o crescimento dos eventos e das viagens, tornou-se claro que era altura de dar esse salto”.

A mudança permitirá ao Favela dedicar-se em exclusivo a experiências culturais, muitas delas em itinerância e sempre em parceria com outros espaços da cidade e da região. Os eventos vão passar a acontecer em diferentes locais, promovendo o comércio local e fomentando colaborações criativas. A própria identidade do Favela, marcada pelo envolvimento da comunidade, continuará viva através desta nova fase.

Uma despedida com agenda cheia

Antes de fechar as portas, o Favela Café Cultural organiza um último mês repleto de eventos, para celebrar tudo o que foi construído. Haverá música brasileira ao vivo às sextas-feiras (8 e 22 de agosto), um último jantar de degustação mediterrânica, a 9 de agosto, a festa de aniversário de Rodrigo Baena, no dia 15, e ainda um karaokê internacional, no dia 23. Todas estas atividades são gratuitas.

Ainda no café, no dia 9 de agosto está marcado um jantar exclusivo de seis pratos, com um valor de 46€ por pessoa, e um evento dedicado às crianças, com contadores de histórias e música, a 30 de agosto, que custa 10€ por família.

Já no plano das experiências fora de portas, há muito por onde escolher. No dia 12 de agosto, está agendado um passeio ao Jardim Buddha Eden, com alguns segredos no percurso. O passeio começa às 11 horas e termina às 23, com um custo de 75€ por pessoa.

A 25 de agosto, vai ser possível experimentar o famoso passeio de bicicleta em antigas linhas de comboio, entre as 11 e as 23 horas, por 85€ por pessoa e, a 26, um passeio pelas olarias do Alentejo, com paragens em vilas menos conhecidas da região. Esta última viagem decorre das 9 da manhã até às 19 horas e custa 75€ por pessoa.

“É uma forma de celebrar tudo o que foi feito até aqui”, partilha o fundador, que destaca a importância da comunidade fiel que se foi criando em redor do café. “Tudo o que aconteceu ali dentro foi feito pelas pessoas que participaram. A comunidade é a base do Favela”.

O espaço vai ser passado a novas mãos, mas a essência poderá manter-se. Segundo Rodrigo, há já pessoas interessadas em continuar ali um projeto cultural. Mesmo que sob novo nome, a alma do espaço poderá persistir e o próprio fundador está disponível para colaborar com quem o herdar.

Uma nova missão: pôr Setúbal no mapa cultural

A partir de dia 30 de agosto, o novo foco do projeto é claro: fomentar a cultura em Setúbal, durante todo o ano, com eventos que vão além do verão e da programação institucional.

A produção cultural independente enfrenta, muitas vezes, obstáculos burocráticos, algo que o fundador do Favela conhece bem. Por isso, esta nova fase será também uma plataforma de colaboração com outros agentes culturais, autarquias e espaços alternativos. O objetivo? Atrair eventos, festivais e projetos que, literalmente, “ponham Setúbal no mapa”.

“Há produtores em Lisboa à procura de novos palcos. Setúbal está a 30 minutos, tem história, espaço e público. Só precisamos criar as oportunidades”.

Durante o último ano, o responsável pelo Favela ajudou a organizar o Festival Língua Terra, colaborou com projetos locais de barco e tem vindo a construir pontes entre artistas e a cidade. A missão passa agora por expandir estas ligações e criar uma agenda cultural vibrante, mesmo fora da época alta, que ajude, sobretudo, os negócios locais.

De Setúbal para o mundo

Esta nova fase do Favela Café Cultural também tem como objetivo ultrapassar as fronteiras setubalenses. A partir de setembro/outubro, arrancam experiências dentro e fora do país. Entre os primeiros destinos pensados estão a Ilha da Madeira, Alentejo, Brasil e Croácia — esta última com uma proposta especialmente pensada para casais.

“A ideia é levar pequenos grupos para viver experiências únicas. Caminhadas, meditação, passeios de barco, partilhas à mesa, tudo com tempo e espaço para criar verdadeiras conexões entre pessoas e culturas”, explica Rodrigo. A primeira iniciativa é a viagem à Croácia, prevista para setembro ou outubro: três casais, uma casa junto ao mar, uma carrinha partilhada, passeios personalizados e dias pensados para relaxar, explorar e desfrutar, com Rodrigo como guia.

Em janeiro de 2026, está a ser preparada uma experiência no Brasil, entre sete a dez pessoas, com foco em destinos fora dos circuitos turísticos habituais.

Estas experiências inserem-se, de certo modo, num projeto paralelo criado nos EUA — Long Life Locals —, que incentiva o apoio a negócios locais e promove um turismo mais justo e consciente. A mesma filosofia está agora a ser aplicada em Setúbal, nas viagens que o projeto ambiciona proporcionar.

Sobre o Favela

O Favela chegou a Setúbal no dia 1 de novembro de 2024. O conceito surgiu como “uma forma de colocar a teoria em prática, e de criar uma comunidade”, até porque “a comida é uma desculpa”. “Inicialmente, nem queríamos abrir um café. Queríamos alargar o sentido de pertença, abraçar e falar. Queremos que este projeto seja replicável por outras pessoas. Não servimos comida, damos uma experiência”, explicou, na altura, o fundador.

Apesar de abandonar o espaço físico, a identidade do Favela continua. O próprio fundador não descarta, no futuro, voltar a abrir um espaço físico, especialmente se surgir uma parceria sólida que lhe permita dedicar-se apenas à vertente cultural e deixar a gestão do espaço físico a cargo de outros. Há até um pequeno sonho já desenhado: um centro cultural junto à praia, onde a arte, a música e a comunidade possam encontrar-se sem tantas restrições.

Todas as experiências, eventos e viagens vão ser divulgadas através do site e da newsletter mensal, que funciona como um guia completo para quem quiser acompanhar de perto esta nova fase. Basta deixar o seu e-mail nas mensagens do Instagram para começar a receber as novidades.

ARTIGOS RECOMENDADOS