fora de casa

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Este atelier de cerâmica é um segredo artístico escondido em Setúbal

Isabel Grossenbacher trocou a vida na Suíça por Setúbal e a enfermagem por cerâmica. Agora, dá aulas em casa, no seu atelier.

A história de Isabel Grossenbacher é daquelas que nos fazem refletir e que nos mostram como a vida, por vezes, tem planos diferentes. Aos 43 anos, vive em Setúbal, onde tem o seu próprio atelier de cerâmica, dá aulas e dedica-se à criação de peças únicas que misturam arte funcional com arte contemplativa. No próximo dia 10 de setembro, vai dar uma nova aula, com inscrições abertas, para quem quiser aprender a dar os primeiros passos nesta arte milenar.

No entanto, esta história começa muito antes, em Moçambique, onde nasceu e cresceu. “Fiz aulas de arte entre os oito e os 12 anos. Tenho dois tios artistas plásticos, pelo que as artes sempre estiveram muito presentes em casa. Um deles tinha um atelier e fazia questão de nos envolver nesse mundo”, conta à NiS. No entanto, à medida que foi crescendo, o caminho profissional desviou-se da arte.

Aos 26 anos, casou-se com um suíço e foi viver para Berna, onde passou quase 13 anos. “Formei-me em Enfermagem, mas já sabia que não queria fazer isso para o resto da vida”. Foi essa certeza, e um pacto feito com o marido logo no início da relação, que os levou a mudarem-se para Portugal há cinco anos. “Era o nosso acordo. Não queríamos viver para sempre na Suíça. Adoro Portugal e sempre sonhei viver aqui”.

A escolha por Setúbal foi óbvia. “Lisboa é demasiado agitada. Queríamos um sítio calmo, mas que ainda tivesse mar e acesso a tudo. Costumo brincar e dizer ao meu marido que pode consolar-se com a Arrábida e fingir que são os alpes suíços. Temos uma grande ligação com o mar e, aqui, já nos sentimos em casa”.

Novo país, nova vida

Foi depois desta mudança que a arte voltou à sua vida, desta vez sob a forma de cerâmica. “Comecei por fazer um workshop. Gostei muito, mas queria saber mais, queria mesmo formação para conhecer a história da cerâmica e as técnicas. Apaixonei-me. Gosto de dizer que não fui eu que encontrei a cerâmica, foi a cerâmica que me abraçou”.

Isabel formou-se no Curso de Cerâmica do Ar.Co, em Lisboa, depois de três anos de aprendizagem intensa, que terminaram em 2024. Hoje, trabalha a partir do seu próprio atelier, em casa, onde cria peças utilitárias, esculturas de grande dimensão e onde começou a dar aulas. “Já queria fazer isto há muito tempo, mas estava ocupada com uma série de esculturas. Assim que a terminei, decidi abrir aulas para quem quer iniciar-se na cerâmica. Comecei assim e é isso que quero passar, o bichinho por esta arte única”.

Um atelier para trabalhar e ensinar

A primeira aula foi para crianças, no início do ano. Mais recentemente, deu outro workshop no final de julho. A ideia agora é dar aulas com mais frequência, consoante a procura. Mais do que ensinar técnicas, Isabel quer que os alunos vivam a experiência completa. “Para mim, a cerâmica é um lugar de meditação. É uma arte lenta. Num mundo tão agitado e apressado, aqui não dá para correr. Tem que se tocar o barro, criar uma relação com ele. Tem que se esperar que a peça seque, que vá ao forno, que seja vidrada. E isso demora três, quatro semanas. Hoje, ninguém espera por nada e a cerâmica obriga-nos a isso: a parar, a contemplar, a ir mais devagar”.

Essa ligação ao tempo e à natureza é o que mais valoriza. “Tenho uma horta, por isso vivo esse mesmo ciclo. Planto e espero. A cerâmica tem essa mesma linguagem. Nós sabemos disso, mas o dia a dia faz-nos esquecer que é preciso abrandar”.

A próxima aula vai acontecer no dia 10 de setembro. Tem a duração de duas horas, custa 60€ por pessoa (com todo o material incluído, assim como as queimas das peças) e ensina os princípios básicos da cerâmica. “Muitas vezes, olhamos para essas técnicas básicas e pensamos que são só para crianças, mas são a base de tudo. Foi como aprendi”.

Os grupos são limitados a cinco pessoas, para que Isabel consiga dar atenção a todos. As aulas são dadas em português ou em outras línguas, já que recebe alunos estrangeiros e adapta-se consoante as necessidades. “Já dei aulas individuais, ou divido as turmas consoante a língua. O importante é que cada pessoa tenha tempo e espaço para aprender”.

Isabel trabalha com pastas cerâmicas e barro líquido. Faz moldes de gesso e desenha todas as peças. O seu trabalho está dividido entre a criação artística e a partilha dessa arte. “A cerâmica deu-me um lugar onde posso estar, respirar e ensinar. É isso que tento transmitir aos outros”.

As inscrições para a aula de dia 10 de setembro estão abertas e podem ser feitas através de mensagem privada no Instagram de Isabel Grossenbacher. Além desta aula, a ceramista também recebe inscrições espontâneas para aulas que podem ser combinadas mediante a sua disponibilidade.

Carregue na galeria para ver algumas das peças de Isabel e o seu atelier.

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