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CreativeMornings chegam a Setúbal com pequenos-almoços gratuitos para trocar ideias

O projeto nasceu em Nova Iorque e está em centenas de cidades. A estreia sadina está prevista para 30 de outubro.

Imagine começar uma sexta-feira com um pequeno-almoço, conhecer pessoas de áreas completamente diferentes e, pelo caminho, ouvir uma história capaz de dar origem a uma ideia, parceria ou até a um novo projeto. Tudo isto sem pagar entrada.

É essa a proposta da CreativeMornings, uma comunidade internacional que se prepara para chegar a Setúbal. A intenção é que a estreia seja apenas o início de uma nova rotina: todos os meses, haverá uma manhã dedicada a juntar pessoas, conversar e criar novas ligações na cidade.

À frente do capítulo de Setúbal está Fernando Cruz, de 36 anos, profissional das áreas das relações públicas, comunicação estratégica e organização de eventos. A ligação à região, explica, passa tanto pela vida profissional, como pessoal e comunitária.

“Vejo as relações públicas não apenas como comunicação entre organizações e públicos, mas como uma ferramenta para criar pontes, aproximar pessoas e gerar oportunidades”, afirma. Foi através da rede internacional da CreativeMornings que conheceu o conceito. A fórmula chamou-lhe a atenção pela simplicidade: reunir pessoas criativas durante uma manhã, à volta de um tema, uma conversa e um pequeno-almoço, sem criar barreiras à participação.

A partir daí, começou a pensar no que poderia acontecer se Setúbal tivesse o seu próprio capítulo. “Encontrei uma coisa muito importante: comunidade”, conta. Para Fernando, a cidade reúne pessoas com talento em áreas tão diferentes como cultura, gastronomia, empreendedorismo, comunicação, artes e tecnologia, mas faltava-lhe um ponto de encontro transversal entre esses vários universos.

“As CreativeMornings permitem colocar pessoas que provavelmente nunca se encontrariam profissionalmente à mesma mesa.”

De Nova Iorque para Setúbal

O projeto nasceu em Nova Iorque e transformou-se numa comunidade internacional presente em centenas de cidades e dezenas de países. Abrir um capítulo local, por isso, não depende apenas da vontade de organizar um encontro.

Fernando teve de passar por um processo de candidatura e obter a aprovação da organização internacional. As diferentes etapas seguem uma identidade e filosofia comuns, embora cada cidade tenha liberdade para construir a sua própria comunidade e adaptar a iniciativa à realidade local.

“Foi muito importante conseguir trazer oficialmente esta rede para Setúbal”, destaca. A escolha do momento não aconteceu por acaso. Fernando considera que Setúbal atravessa uma fase de transformação, com novos empreendedores, criadores e profissionais a desenvolver projetos, ao mesmo tempo que mantém uma forte riqueza cultural e humana.

“Não quero substituir nenhuma comunidade que já exista. Quero criar uma ponte entre elas”, explica Fernando. A CreativeMornings pode funcionar como um ponto de encontro onde diferentes comunidades se cruzam e onde uma conversa aparentemente casual acaba por dar origem a algo maior.

A iniciativa está agora a construir uma equipa de voluntários. A organização envolve diferentes áreas, entre produção, comunicação, fotografia, vídeo, relação com parceiros, acolhimento dos participantes e apoio aos convidados. Fernando ficará responsável pela coordenação, relações públicas, comunicação, parceiros e construção da comunidade.

“Uma das coisas que mais gosto nas CreativeMornings é a ideia de que isto não é um projeto individual. É uma comunidade construída por várias pessoas.” O voluntariado, aliás, faz parte da própria estrutura da iniciativa.

“Não estamos apenas a organizar eventos, mas a oferecer tempo, conhecimento e trabalho para criar algo que possa beneficiar a comunidade”, afirma. A lógica é que cada voluntário contribua com o que sabe fazer melhor.

O que acontece numa CreativeMorning?

O nome dá uma pista: acontece logo pela manhã, há café e pequeno-almoço, mas o objetivo vai além disso. Os participantes chegam, convivem, conhecem outras pessoas e têm um momento de networking antes da conversa ou apresentação do convidado.

Fernando quer que o ambiente seja descontraído, mas que exista conteúdo suficiente para que a experiência não termine quando a manhã acabar. “A ideia é que ninguém saia apenas com uma inspiração. Queremos que saia com, pelo menos, um novo contacto, uma nova ideia ou uma possível colaboração.”

Os encontros deverão continuar gratuitos, de acordo com o espírito internacional das CreativeMornings. Será, porém, necessária inscrição prévia, sobretudo para gerir a lotação dos espaços onde cada edição for realizada.

E não é preciso trabalhar nas indústrias criativas para participar. “Qualquer pessoa pode aparecer”, responde Fernando quando questionado sobre a quem se destina o evento. “Um designer pode sentar-se ao lado de um empresário, um estudante, um músico, um jornalista, um engenheiro, um professor ou alguém que simplesmente tenha curiosidade e vontade de conhecer pessoas.”

Para o responsável, a explicação é simples: “A criatividade não pertence a uma profissão.” Há, ainda assim, um grupo que Fernando gostaria de conseguir aproximar da iniciativa: estudantes e jovens no início do percurso profissional, além daqueles que já têm uma ideia ou um projeto, mas ainda não encontraram a comunidade onde o possam desenvolver.

Primeira edição prevista para 30 de outubro

A estreia das CreativeMornings Setúbal está prevista para 30 de outubro, entre as 9 e as 11 horas. O espaço onde será realizado o encontro ainda está a ser confirmado.

Entre os nomes associados à primeira edição estão Teresa Landeiro, ligada ao fado e à cultura portuguesa, e Marta Santos, Head of EDP Volunteering Program no Social Impact Coordination Office.

A escolha dos convidados, explica Fernando, não dependerá apenas da notoriedade. “Não procuramos só pessoas conhecidas, mas com histórias que mereçam ser ouvidas.”

Cada mês das CreativeMornings parte de um tema que permite criar uma conversa comum entre os vários capítulos da rede. Em Setúbal, a intenção é trabalhar assuntos como sustentabilidade e empreendedorismo, fazendo a ponte entre a proposta global e o que está a acontecer na cidade.

Apesar de existir uma identidade internacional a respeitar, Fernando quer que o projeto sadino tenha personalidade própria. “Quero que as CreativeMornings Setúbal tenham a sua personalidade, que falem de Setúbal, das suas pessoas, dos seus desafios e das suas oportunidades.”

A ambição é realizar um encontro todos os meses. A segunda edição já está prevista para 20 de novembro, entre as 9 e as 12 horas. “Queremos construir uma rotina: uma manhã por mês em que as pessoas sabem que têm um lugar onde podem aparecer, aprender e conhecer outras pessoas.”

O que poderá nascer dessas manhãs é imprevisível. Pode ser uma parceria entre empresas, uma oportunidade profissional para um estudante, um projeto cultural, uma colaboração entre artistas ou simplesmente uma amizade. O papel da organização, explica Fernando, será criar as condições para que essas relações aconteçam.

E é precisamente aí que ele pretende medir o impacto da iniciativa. “O verdadeiro sucesso não será o número de pessoas numa fotografia, mas o que acontece depois de as pessoas saírem da sala.”

Daqui a um ano, Fernando gostaria de descobrir que pessoas que não se conheciam se encontraram numa destas manhãs e acabaram por criar uma empresa, uma exposição, um projeto social ou uma parceria. Nem sequer precisa de haver um resultado profissional: uma amizade será suficiente para considerar que o esforço valeu a pena.

“Não quero criar apenas mais um evento em Setúbal”, reforça. “Quero ajudar a criar um momento mensal em que a cidade pare durante algumas horas para ouvir, conversar, conhecer e imaginar.”

No fundo, a ideia com que resume a chegada das CreativeMornings à cidade é também a que pretende colocar à prova todos os meses: “Uma comunidade criativa não se constrói apenas com grandes projetos. Constrói-se quando as pessoas começam a conhecer-se.”

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