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Vamos separar-nos, e agora? Estas dicas podem ajudar os filhos a lidar com o divórcio

A psicóloga Susana Jacob, da clínica setubalense Mentes INquietas, fala acerca de uma situação recorrente e que preocupa muitos pais.
É preciso cuidado.

A separação ou divórcio dos pais é um acontecimento de vida com um grande impacto no bem-estar das crianças. A forma como os pais vão gerir essa separação e o suporte que vão dar aos seus filhos tem um peso importante na capacidade de ajustamento que essa criança terá a essa nova realidade.

Se os pais conseguirem manter uma comunicação saudável e cordial entre eles, e estiverem atentos às dúvidas, inquietações e necessidades dos seus filhos, a criança terá mais facilidade em elaborar a separação dos pais e em ajustar-se de forma saudável a essa nova realidade, por isso, deixamos-lhe dez dicas que promovem o ajustamento das crianças à separação ou divórcio dos pais.

A primeira é que quando os pais decidem separar-se, ou divorciar-se, uma das tarefas mais difíceis é comunicar essa decisão aos seus filhos. Idealmente, recomenda-se que a criança seja informada dessa decisão por ambos os pais. Os pais devem explicar à criança que deixaram de ser um casal, mas reforçar que nunca deixarão de ser os seus pais. É importante que os pais tenham o cuidado de adequar a linguagem à idade e à maturidade da criança.

Depois, é muito habitual que as crianças sintam, espontaneamente, culpa pela separação dos pais, e achem que os pais se separaram por sua causa, devido a alguma coisa que elas fizeram ou disseram, por isso, é fundamental que os pais afirmem com frequência, de forma clara e explícita, que a criança não teve qualquer responsabilidade na sua decisão.

Além disto, é fundamental que os pais permitam que os seus filhos expressem aquilo que estão a sentir, e validem essas emoções, por exemplo, dizendo à criança que é normal ela sentir-se triste, ou assustada, ou preocupada, ou com medo, ou com saudades.

Após a separação, muitas crianças começam a fantasiar com uma possível reconciliação entre os pais. Este processo é, na maior parte das vezes, transitório, por isso, é importante que os pais não alimentem esta fantasia, mas ajudem os seus filhos a aceitar o carácter permanente da separação.

Saiba ainda que, para muitos dos pais que se separaram ou divorciaram, o fim desta relação afetiva traz muita mágoa, tristeza e dor associadas, o que muitas vezes cria e alimenta uma relação tensa e conflituosa entre os pais. Nestes casos, é imperativo que os pais mantenham um diálogo assertivo com o outro progenitor, sem gritos, insultos, ameaças, uma vez que o conflito entre os pais pode ter um efeito devastador na criança.

Outra situação é que a separação dos pais pode implicar muitas mudanças na vida da criança, mudanças no convívio que mantinham com os pais, mudanças de casa, de escola, de atividades de tempos livres, de cidade, de país… Estas mudanças podem levar as crianças a sentirem-se perdidas, inseguras, vulneráveis, por isso, os pais devem informar, sempre que possível, o que vai acontecer, quando, onde, para que a criança tenha alguma sensação de controlo e de previsibilidade.

É importante frisar que a separação dos pais, muitas vezes traz, acoplada, uma diminuição dos contactos com a família alargada. A família do pai e a família da mãe continuam a ser a família da criança, por isso, a criança deve poder manter um contacto regular com a sua família alargada, avós maternos e paternos, tios maternos e paternos, primos maternos e paternos.

Sabemos também que a separação dos pais implica, muitas vezes, que a criança passe a ter duas casas, uma casa com a mãe e outra casa com o pai. Sempre que possível, a criança deve ter um espaço em cada casa que é dela, só dela (um quarto, um armário, uma gaveta…), onde possa guardar as suas coisas, a sua roupa, os seus brinquedos, os seus pertences. Por outro lado, sendo os objetos e pertences da criança, ela deve poder levá-los consigo de uma casa para a outra sempre que quiser.

É normal e natural que, após a separação, os pais possam arranjar novos companheiros afetivos, contudo, devem ter a sensibilidade de integrar um novo namorado ou namorada na vida da criança depois dela já estar mais ajustada à separação ou divórcio dos pais, e isto requer tempo. Devemos respeitar o tempo da criança e não impor o tempo dos pais. Este respeito pelo tempo da criança aumenta a probabilidade de ela estar mais recetiva a aceitar o novo companheiro ou companheira, da mãe ou do pai.

Finalmente, mas não menos importante, é fundamental que ambos os pais cuidem de si próprios, cuidem da sua saúde, socializem, mantenham actividades de lazer, mas, também, que cuidem do seu bem-estar emocional, e que, caso precisem, procurem ajuda especializada.

A separação ou divórcio dos pais não é fácil para os filhos, é uma fase em que as crianças precisam de muito apoio, compreensão e afeto dos pais, mas com a ajuda dos pais, é possível elas atravessarem esta fase das suas vidas de forma ajustada e prosseguirem o seu crescimento e desenvolvimento de forma equilibrada e feliz.

Contudo, se os pais observarem mudanças e alterações no comportamento da criança, tais como, tristeza recorrente, isolamento, comportamento agressivo, diminuição do rendimento escolar, comportamentos regressivos, entre outros, devem procurar ajuda profissional. Para mais informações acerca do tema, pode marcar uma consulta, no site da clínica setubalense Mentes INquietas

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