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Vacina com resultados promissores contra o cancro vai chegar a Portugal

O fármaco bloqueia proteínas que ajudam os tumores a crescer e a resistir aos tratamentos convencionais.

Uma nova injeção que tem dado resultados promissores no combate ao cancro da cabeça e pescoço vai começar a ser testada em Portugal, revelou o jornal “Expresso”. O tratamento, desenvolvido pela Johnson & Johnson, mostrou capacidade para reduzir significativamente os tumores e, em alguns casos, eliminá-los por completo durante os ensaios clínicos realizados em vários países.

Os dados mais recentes foram apresentados no domingo, 31 de maio, durante o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), considerado o maior congresso mundial dedicado à investigação da patologia.

O medicamento, chamado Amivantamab, revelou resultados encorajadores em doentes com carcinoma da cabeça e pescoço. Entre os 102 participantes do estudo, o tumor diminuiu em 28 pessoas e desapareceu por completo em 15. No total, mais de um terço dos doentes respondeu positivamente ao tratamento após poucas semanas.

A investigação não se limita a este tipo de doença. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, o fármaco também tem demonstrado eficácia em casos de cancro do pulmão e está atualmente a ser avaliado em dezenas de estudos dedicados a tumores cerebrais, do estômago, do cólon e do reto.

A próxima fase do ensaio clínico vai envolver cerca de 500 participantes de vários países, incluindo Portugal. De acordo com o “Expresso”, os hospitais portugueses já estão a recrutar doentes com carcinomas da cabeça e do pescoço que não podem ser tratados através de terapias locais.

Os testes vão decorrer em cinco unidades hospitalares nacionais: Hospital de Portimão, Unidade Local de Saúde Gaia-Espinho, IPO do Porto, Hospital de Santa Maria e Hospital CUF Descobertas. O estudo deverá prolongar-se até 2029. O primeiro participante português poderá integrar o ensaio ainda durante o mês de junho, no Hospital CUF Descobertas.

Uma das vantagens apontadas ao novo tratamento está na forma de administração. Em vez de ser dado por via intravenosa, é aplicado através de uma injeção subcutânea, administrada a cada três semanas, tornando todo o processo mais simples e confortável para os pacientes.

Os investigadores referem ainda que a maioria dos efeitos secundários observados foram ligeiros ou moderados. Menos de 10 por cento dos participantes tiveram de interromper o tratamento devido a reações adversas.

O amivantamab atua em várias frentes ao mesmo tempo. O medicamento bloqueia proteínas que ajudam os tumores a crescer e a resistir aos tratamentos convencionais, nomeadamente o EGFR e o MET. Além disso, contribui para ativar o sistema imunitário, reforçando a capacidade do organismo para identificar e combater as células cancerígenas.

Todos os anos são diagnosticados entre 2.500 e três mil novos casos de cancro da cabeça e pescoço em Portugal, avança também a SIC Notícias. Mais de metade dos diagnósticos acontece já numa fase avançada da doença, o que reduz as possibilidades de tratamento eficaz e afeta significativamente a qualidade de vida dos doentes.

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