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Trocar a vaca pelo coelho faz bem à saúde, à carteira e ao ambiente

O consumo excessivo de bovino é uma das principais causas da emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera.
O consumo da carne de coelho é menos prejudicial para o ambiente.

O consumo de carne tem um enorme impacto ambiental. A indústria pecuária é diretamente responsável por uma parcela significativa das emissões de gases nocivos. Os bovinos — e a sua criação intensiva — são responsáveis pela libertação de grandes quantidades de gás metano (um dos responsáveis pela aceleração do efeito estufa) na atmosfera.

Neste sentido, a União Europeia apoiou um projeto da Associação Portuguesa Cunicultura para fomentar o aumento do consumo de carne de coelho — que trará benefícios não só para o planeta (uma vez que a criação destes animais para o consumo humano é mais amiga do ambiente), como também para a saúde. O objectivo é voltar a introduzir esta proteína na dieta mediterrânea.

“Se olharmos especificamente para o consumo de carne, constata-se que este tem sofrido um incremento a nível mundial e também em território nacional. E foi necessário importar em média 54,9 por cento da consumida pelos portugueses”, começa por explicar Paulo Lucas dirigente da associação Zero.

A produção de alimentos contribui globalmente com cerca de 26 por cento do global de emissões de gases com efeito de estufa. Sendo que a produção de carne de bovino é a que contribui mais — a produção de um quilo desta proteína resulta na emissão de 99,48 quilos de dióxido de carbono, muito acima dos 9,87 quilos no caso das aves, por exemplo. “Parece-nos natural que a UE avance com campanhas para a redução consumo de carne, em particular a de bovino”, explica o ambientalista.

A apresentadora Fátima Lopes aceitou ser cara deste projeto “porque esta campanha europeia quer ajudar a mudar mentalidades, o que acaba por beneficiar os produtores e os consumidores”, conta à NiT. O coelho é uma carne subvalorizada em Portugal. Um bife de vaca ou uma perna de frango até podem ser considerados mais apetitosos por muitos, mas a verdade é que esta proteína animal é das mais saudáveis que podemos comer, sendo muitas vezes comparada à das aves (em termos nutricionais).

“No que diz respeito à carne, quando se fala de carnes magras ou brancas geralmente pensamos apenas no frango, e muitas vezes nem nos lembramos que existem outras tão ou mais saudáveis, como é o caso da de coelho”, explica a nutricionista Bárbara de Almeida Araújo.

O teor gordura é baixo e a percentagem de proteína é alta. Além disso, “destacam-se as vitaminas do complexo B, principalmente a Niacina (ou B3), B6 e B12”. E é também uma grande fonte de potássio e fósforo. “Pelo facto de ter um baixo teor de fibras de colagénio e pouca gordura, é muito macia e de fácil digestão”, acrescenta a nutricionista.

Tal como todas as carnes, também a de coelho é bastante versátil, e pode ser preparada de várias maneiras: estufada, assada, guisada, entre outros. “Ainda se divulgam pouco as virtudes da carne de coelho, a riqueza de receitas que existe, assim como a facilidade da sua confecção”, diz Fátima Lopes. Sempre fez parte da alimentação tradicional portuguesa, contudo este hábito foi-se perdendo. E, por isso, a União Europeia está a investir de forma a recuperarmos esta tradição e ao mesmo tempo ajudarmos este sector de actividade.

“A carne de coelho é muito saudável. Tem baixo índice de gordura e é muito rica, além de que é produzida de forma totalmente controlada e sustentada. A produção é feita sempre por pequenos cunicultores, empresas familiares que se deparam com grandes dificuldades para atingirem a rentabilidade”, diz Fátima Lopes.

Outro fator a ter em conta, sobretudo para todos os que gostam de cozinhar refeições saudáveis para toda a família sem rebentar com o orçamento alocado à alimentação é o preço desta proteína — o custo por quilo é, em média, um terço mais baixo que a mesma quantidade de carne de vaca.

No entanto, apesar de o consumo de carne de coelho ser mais amiga da carteira e menos prejudicial para o meio ambiente do que a de bovino, Paulo Lucas diz que para a associação Zero parece “insensato promover o consumo de carnes menos impactantes em termos emissões quando o que temos é um consumo excessivo de proteína animal na alimentação.” 

O ambientalista afirma que os portugueses consomem mais carne do que o valor de referência segundo a Roda dos Alimentos e defende que seria importante que a União Europeia, em vez de financiar campanhas de promoção do consumo de carne de porco ou de coelho, repensasse todo o seu modelo de produção de alimentos e que incentivasse uma alimentação mais saudável e sustentável: “Seria mais útil e desejável se a EU promovesse o incremento do consumo de leguminosas produzidas localmente na alimentação dos europeus,” exemplifica.

Carregue na galeria para descobrir seis receitas saudáveis onde o coelho é o elemento principal.

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