Atualmente, muitas famílias vivem a um ritmo acelerado. Entre trabalho, escola, atividades e compromissos, o tempo parece sempre curto e o equilíbrio entre vida profissional e familiar nem sempre é fácil. Este contexto pode tornar mais difíceis a criação e manutenção de rotinas no dia a dia. Os miúdos e jovens precisam de previsibilidade e estrutura para se sentirem seguros.
Como ainda não conseguem organizar o seu dia de forma autónoma, sobretudo os mais novos, dependem de um adulto de confiança para ser o seu modelo e guiar esse processo. Uma rotina bem estruturada, que inclua momentos de tempo livre e até de aborrecimento (essenciais para o desenvolvimento emocional e social saudável), contribui para uma melhor regulação emocional, reduz o cansaço e facilita o dia a dia.
Atualmente, muitas rotinas já estão pré-estabelecidas: os mais novos passam grande parte do tempo na escola, onde o seu dia é organizado. Depois, podem ter uma agenda preenchida com atividades extracurriculares. No entanto, quando essa estrutura não se estende ao contexto familiar, pode surgir uma sensação de falta de controlo e segurança.
Quando as rotinas são inexistentes ou muito inconsistentes, é comum surgirem dificuldades no comportamento e no bem-estar emocional. A falta de previsibilidade pode gerar ansiedade, irritabilidade, dificuldades no sono, maior resistência às regras e até conflitos familiares mais frequentes. Muitas vezes, estes comportamentos não são “birras sem motivo”, mas sinais de cansaço, sobrecarga ou dificuldade em antecipar o que vem a seguir. Para a criança, não saber o que esperar pode ser vivido como algo inseguro, mesmo que o ambiente familiar seja afetuoso.
Um erro frequente é pensar que criar rotinas significa apenas cumprir horários rígidos. Na realidade, as rotinas vão muito além disso. Envolvem também a forma como os momentos do dia se repetem, os rituais familiares e a previsibilidade emocional. Pequenos gestos, como ler uma história antes de dormir, jantar sempre num determinado horário ou ter um momento calmo antes de ir para a escola, ajudam os miúdos a organizar internamente o seu dia.
Estes rituais tornam-se âncoras de segurança emocional, especialmente em dias mais agitados. Os adultos desempenham um papel central na criação e manutenção das rotinas. As crianças aprendem mais pelo exemplo do que pelo discurso. Quando os cuidadores mantêm alguma previsibilidade, cumprem compromissos e comunicam de forma clara, a criança sente-se mais segura para seguir essa estrutura. É natural que nem sempre seja possível cumprir tudo à risca.
O mais importante não é a perfeição, mas a consistência ao longo do tempo. Mesmo quando a rotina falha, explicar aos miúdos o que aconteceu e o que vai mudar ajuda a lidar melhor com a frustração.
Como criar uma rotina eficaz?
Primeiramente, as rotinas devem ser ajustadas à idade e às necessidades de cada um. Nas crianças mais pequenas, a repetição diária é essencial para criar sensação de segurança. Já nos miúdos em idade escolar, as rotinas ajudam a desenvolver autonomia e responsabilidade. Nos adolescentes, embora exista uma maior necessidade de flexibilidade, manter alguns pontos fixos, como horários de sono e refeições, continua a ser importante para a regulação emocional.
Na adolescência, as rotinas continuam a desempenhar um papel fundamental. Apesar de existir uma maior necessidade de autonomia, individualização e flexibilidade, a presença de alguma estrutura é essencial para o bem-estar emocional e psicológico dos jovens.
Cada vez mais os adolescentes revelam dificuldades em estabelecer rotinas saudáveis, sobretudo no que diz respeito aos horários de sono, estudo e tempo de lazer. Esta falta de organização pode ter impacto no desenvolvimento, na aprendizagem, na capacidade de concentração, na memória e até na regulação emocional. Manter alguns pontos fixos no dia, como horários regulares para dormir, acordar e fazer refeições, ajuda os jovens a organizarem melhor o seu tempo e a lidarem com as exigências escolares, sociais e emocionais próprias desta fase.
Horários regulares para gerir a frustração
É importante definir horários regulares para as necessidades básicas, como alimentação, banho e sono. De modo a reduzir momentos de frustração, poderá ser importante avisar com antecedência momentos de transição de atividades (por exemplo: “daqui a cinco minutos vamos tomar banho”).
Para crianças pequenas ou que necessitem de maior suporte neste sentido, poderá ser útil usar recursos visuais simples, como um quadro de rotinas da manhã e da noite. Cada vez que terminem uma tarefa, assinalam que ficou tudo completo ou, no final, fazem uma confirmação de todas as tarefas. Não precisa de ser sofisticado, um simples quadro de giz ou de caneta é suficiente.
Criar rotinas não significa eliminar a espontaneidade, pelo contrário. Quando existe uma base estruturada, torna-se mais fácil lidar com imprevistos. Fins de semana diferentes, férias ou dias fora da rotina não são prejudiciais, desde que exista um regresso a alguma previsibilidade.
É também importante manter o equilíbrio entre estrutura e flexibilidade. Regras demasiado rígidas podem gerar stress desnecessário tanto para os miúdos, como para os cuidadores. A flexibilidade, quando bem integrada, ensina a criança a adaptar-se às mudanças, sem perder a sensação de segurança. Este equilíbrio entre estrutura e flexibilidade é um dos maiores desafios, mas também um dos maiores benefícios das rotinas bem construídas.
Por fim, vale a pena deixar espaço para momentos sem atividades programadas. Num mundo cada vez mais acelerado, os miúdos e jovens precisam de tempo para simplesmente estar, explorar e criar, sem pressões.
Num quotidiano cada vez mais acelerado, as rotinas não servem para controlar, mas sobretudo para cuidar. Estas ajudam os mais novos a sentirem-se seguros, compreendidos e emocionalmente mais estáveis. Com pequenas mudanças e consistência, é possível transformar o dia a dia familiar num espaço mais tranquilo, previsível e acolhedor, tanto para as crianças e jovens, como para os adultos.
Pode marcar uma consulta no site da clínica setubalense Mentes INquietas, através dos contatos 265 233 066, 927 401 218, ou enviar e-mail para geral@nullmentesinqueitas.pt.

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