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Sente-se cansado e sem energia? Estes são os sinais de perigo a que deve estar atento

Há uma palavra a ter em mente: fadiga. E é importante que não a ignore, porque pode esconder problemas de saúde graves.
Esteja atento a estes sinais.

O dia já vai longo e mal pode esperar pela hora de descansar. Mas a noite passa e no dia seguinte, quando acorda, ainda tem aquela sensação de cansaço e falta de energia para enfrentar novo dia. Pode ser só um dia mau, mas também pode ser o seu corpo a dar-lhe sinais que algo não está bem. É uma questão de saúde que deve ser levada a sério.

“A fadiga é um sintoma inespecífico e muito comum na prática clínica”, explica à NiT Sérgio Andrade, especialista de medicina interna e coordenador do serviço de atendimento permanente de adultos do Hospital CUF Porto. E é preciso prestar alguma atenção às palavras para se perceber de que falamos. “Raramente os doentes utilizam a palavra fadiga. Os termos ‘cansaço’, ‘falta de energia’ ou ‘falta de forças’ são os termos mais habituais”, conta-nos.

Mas afinal de que falamos quando falamos de fadiga? Na literatura médica, a fadiga é definida como a sensação de falta de energia física e psicológica e de exaustão. Ao ponto de já interferir nas atividades do dia a dia. “Ou, por outras palavras, refere-se à dificuldade ou incapacidade para iniciar e/ou manter uma atividade, ou à dificuldade em manter a concentração e estabilidade emocional”, destaca Sérgio Andrade.

O especialista realça que às vezes cabe na mesma palavra outro tipo de problemas. “Quando se inicia a história clínica constatamos, por vezes, que o termo cansaço não se refere propriamente apenas a fadiga, mas a queixas de dispneia, como a sensação de falta de ar, que são características de doenças do foro cardiovascular e pulmonar”. Não são necessariamente coisas diferentes: a fadiga é também um dos sintomas deste tipo de problemas.

“Outras vezes percebemos que os sintomas que os doentes apelidam como ‘fadiga ou cansaço’ não são mais que uma excessiva sonolência diurna – algo comum em patologias do sono”, destaca.

As causas mais comuns da fadiga classificada como aguda estão na maioria das vezes associadas a processos infecciosos”, explica o especialista. Episódios de gripe, de uma mononucleose, podem contribuir para o problema. Em tempos de pandemia, não é de estranhar que algumas queixas tenham aumentado. É que a Covid-19 também entra nesta categoria de processos infecciosos.

“Quando falamos em fadiga subaguda ou crónica esta tem, na grande maioria dos casos, por base uma condição médica subjacente. Também não raramente, a fadiga de um doente pode ser explicada por mais que uma doença”, acrescenta.

O tempo é uma referência importante para se perceber até que ponto o problema (e as queixas) se instalaram. A fadiga pode ser classificada como aguda, quando o sintoma tem início há menos de um mês, subaguda ou crónica (quando já tem mais de seis meses de evolução).

O facto de ser o tipo de problema que por vezes desvalorizamos, faz com que em certos casos se vá adiando uma abordagem mais concreta ao problema. “Na maioria das vezes, enquanto sintoma isolado, os doentes recorrem ao seu médico ao fim de semanas ou meses de evolução”, conta-nos Sérgio Andrade.

Nestes casos, as pessoas atribuem com relativa frequência este sintoma a diversas causas como excesso de trabalho, stress profissional, conflitos familiares, um evento stressante na sua vida ou à privação do sono. “Não raramente observamos doentes que, previamente à consulta médica, já experimentaram suplementos vitamínicos ou alimentares na tentativa de resolver o seu problema”, revela.

O médico salienta que a fadiga deve ser sempre avaliada no contexto do doente como um todo e numa perspetiva individual. Como é que isto se faz? “Através da história clínica, exame objetivo e de exames auxiliares de diagnóstico (ajustados à realidade de cada doente), é possível aos médicos estabelecerem, na grande maioria dos casos, qual ou quais as causas que contribuem para este sintoma”.

Entre as causas para a fadiga podem estar um sem número de outras doenças, “pelo que é importante não ignorar a sua evolução prolongada, nem alguns sintomas e sinais que a acompanham”, alerta o médico.

A que sinais devo estar atento?

Como vimos, é um erro tentar ignorar o problema quando está já se começou a instalar. Não vale a pena pôr as expectativas todas numa noite milagrosa de sono ou nuns dias quaisquer de férias que, sozinhos, poderão resolver tudo. É bem provável que tal não baste.

Importa, por isso, prestar atenção a alguns sintomas. E isto serve para si, mas também para o caso de conhecer alguém que comece a dar sinais de que um quadro de fadiga se começou a instalar. Sérgio Andrade ajuda-nos a ter alguns sinais em especial em atenção:

– Perda involuntária de peso e ou febre

– Sensação de dor torácica ou de falta de ar associada a esforços que previamente não causavam qualquer sintoma

– Humor depressivo, desânimo, insónia

– Dores articulares generalizadas associadas ou não a febre / emagrecimento

– Palidez, perdas de sangue

– Sonolência excessiva diurna associada a roncopatia e/ ou a períodos de diminuição da frequência respiratória durante o sono

– Fadiga de agravamento progressivo

– Fadiga associada a fraqueza muscular

Acima de tudo, é importante não desvalorizar. Em certos casos a intervenção especializada poderá fazer a diferença. É uma questão de saúde, como é óbvio. Mas a saúde não é só o que o nosso organismo nos pede. É também como nos sentimos no dia a dia. É uma questão de qualidade de vida. E a medicina não se faz apenas para situações entre a vida e a morte. Às vezes é apenas uma questão de bem-estar. E isso por si só já merece toda a atenção.

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