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Mulheres vão poder ser vacinadas contra o cancro do colo do útero sem pagar

Atualmente, o fármaco contra o HPV não é comparticipado e custa cerca de 400€.
Um passo importante na saúde femininas.

O Hospital de São João, no Porto, decidiu administrar gratuitamente a vacina contra o HPV a mulheres com alto risco para cancro não abrangidas pelo Plano Nacional de Vacinação. A boa notícia foi revelada esta quinta-feira, 30 de junho, pelo responsável da Unidade de Trato Genital Inferior do serviço de Ginecologia do do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), Pedro Baptista.

A vacina contra o vírus do papiloma humano faz parte do Programa Nacional de Vacinação desde 1992. Atualmente, as três doses do fármaco são administradas gratuitamente a mulheres a partir dos 12 ou 13 anos. Grande parte das jovens que nasceram depois desse ano estão vacinadas. Porém, muitas mulheres mais velhas não. Um dos motivos que justificam esta disparidade é o elevado custo da vacina. Quando não é comparticipada, a dose custa mais de 400 euros. A iniciativa do hospital de São João pretende vacinar “à volta de 100 mulheres por ano”, de forma gratuita. 

Em declarações à agência Lusa, aqui citado pelo jornal “Observador”, Pedro Baptista sublinhou que tanto os critérios deste programa como as características das mulheres abrangidas são “muito especificas”.

“Vamos vacinar mulheres com maior risco de ter novamente lesão ou de haver progressão da lesão mais grave”, disse Pedro Baptista, acrescentando que a referenciação ocorre através dos rastreios de HPV — vírus do papiloma humano — feitos pelos centros de saúde, após os quais se segue o encaminhamento para o hospital de residência.

“Portanto, não se coloca a hipótese de inscrição no programa ou ‘vou para aquele hospital porque pagam a vacina’, nem este programa tem efeitos retroativos. É um início e um enorme primeiro passo que esperemos que inspire outras instituições”, adiantou o médico.

Em causa estão lesões intraepiteliais de alto grau — lesões que se não forem tratadas podem evoluir para cancro —  no colo do útero, ou em localizações como vulva, vagina, região perianal e ânus.

O hospital do Porto decidiu suportar os custos desta vacina pela convicção de que a medida acarreta “um retorno positivo muito grande” na redução do risco de novas lesões, do número de tratamentos e procedimentos repetidos e do número de testes positivos no seguimento, testes que “acarretam uma ansiedade significativa”, disse o responsável.

Esta medida de prevenção secundária visa mulheres que já têm doença grave e, com base no que está publicado, foi definido como limite máximo a vacinação de mulheres até aos 65 anos. Também o grupo de mulheres nascidas depois de 1992 e que já estão vacinadas não serão chamadas.

“Esse grupo não será revacinado no âmbito desta iniciativa do CHUSJ, a menos que seja detetada alguma mulher que “escapou” à vacina por algum motivo, como não morar, nessa altura, no País, por exemplo”. Pedro Batista acrescentou: “Nas mulheres jovens, estamos a diminuir muito o risco destas virem a ter um parto pré-termo. E, no geral, estamos a diminuir o risco de poderem vir a ter um cancro do colo do útero. Esta iniciativa não devia ser apenas de um hospital, devia ser uma iniciativa central, aplicada a todas as mulheres nas mesmas circunstâncias ”.

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